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Josmar Jozino

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Presença do PCC em Guarapuava (PR), atacada domingo, foi exposta em 2020

Filha mostra colete de policial perfurado por tiro após ação de quadrilha em Guarapuava, no interior do Paraná - Reprodução/Instagram
Filha mostra colete de policial perfurado por tiro após ação de quadrilha em Guarapuava, no interior do Paraná Imagem: Reprodução/Instagram
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

19/04/2022 10h43

A presença do PCC (Primeiro Comando da Capital) na cidade paranaense de Guarapuava, alvo de um violento ataque protagonizado na noite de domingo (17) por assaltantes ligados à facção criminosa paulista, passou a ser exposta na região em agosto de 2020, quando foi desencadeada uma operação policial na cidade paranaense.

Na ocasião, as forças de segurança prenderam 12 integrantes do PCC acusados por associação à organização criminosa e tráfico de drogas e identificaram outros 42 que já estavam recolhidos no sistema prisional do estado e na Cadeia Pública do município.

Mas a expansão do PCC no Paraná começou bem antes. Foi em março de 1998, com a transferência de três dos oito fundadores da facção de São Paulo para a Penitenciária Estadual de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba.

Logo após as remoções de Mizael Aparecido da Silva, o Miza, César Augusto Roriz Silva, o Cesinha, e José Márcio Felício, o Geleião, para Piraquara, o PCC começou a criar raízes, espalhar sementes e conquistar adeptos até montar uma base sólida e forte nas ruas e prisões do Paraná.

Em junho de 2001, os três fundadores do PCC e outros integrantes do grupo transferidos de São Paulo lideraram uma das rebeliões mais violentas registradas no Paraná. Foram mortos quatro presos - dois deles decapitados - e um agente penitenciário. Outros 25 funcionários foram feitos reféns.

Os fundadores do PCC e o preso Gilmar Ângelo dos Santos, o Mamá - todos já falecidos - reivindicaram o retorno para presídios de São Paulo e foram atendidos. A rebelião começou em 6 de junho e terminou no dia 12 daquele mês após intensas negociações.

Com a ida de Miza, Cesinha e Geleião para Piraquara, o PCC consolidou seu domínio nos presídios e em importantes cidades paranaenses. O Paraná é considerado hoje um dos principais redutos da facção paulista, criada em 31 de agosto de 1993 na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté (SP).

Em 11 de setembro de 2018, criminosos do PCC agiram em Piraquara nos mesmos moldes do ataque de domingo à empresa de transportes de valores em Guarapuava. Um bando da facção criminosa usou bombas para explodir a muralha da unidade prisional.

A quadrilha resgatou 29 presos da facção criminosa, todos considerados de altíssima periculosidade. Além dos explosivos, os faccionados impuseram o terror e usaram fuzis e metralhadoras. Eles abriram fogo contra os policiais militares que cuidavam da vigilância do presídio nas guaritas.

Presídio federal

A influência da liderança do PCC sobre os demais presos também foi verificada na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Segundo investigações das forças de segurança, foi de lá que partiu a ordem para matar dois agentes penitenciários federais.

Alex Belarmino Almeida Silva, 35, trabalhava em Catanduvas. Ele foi morto com 18 tiros em Cascavel no dia 2 de setembro de 2016. A psicóloga Melissa Almeida, 37, era funcionária da mesma unidade. Ela foi assassinada também em Cascavel em 25 de maio de 2017.

A Polícia Federal apurou que o PCC ordenou os assassinatos dos dois agentes na tentativa de desestabilizar o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) em represália à transferência de integrantes da cúpula da facção para presídios federais.

Seis acusados de envolvimento na morte do agente Belarmino, todos apontados como integrantes do PCC, foram condenados. As penas deles, juntas, somaram 118 anos de prisão. O julgamento dos assassinos de Melissa foi marcado para 18 de maio deste ano.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.