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Josmar Jozino

Acusado de operar R$ 1 bilhão do PCC, Colorido é transferido para Brasília

Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, integrante do PCC -  Polícia Rodoviária Federal
Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, integrante do PCC Imagem: Polícia Rodoviária Federal
Josmar Jozino

Sobre o Autor - Josmar Jozino é jornalista desde 1985. Autor de quatro livros, sendo três sobre crime organizado entre eles, "Cobras e Lagartos", obra referência sobre a facção criminosa PCC que recebeu menção honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog em 2005

Colunista do UOL

25/04/2022 15h59Atualizada em 27/04/2022 12h51

O preso Valdeci Alves dos Santos, 50, o Colorido, apontado como um dos lideres do PCC (Primeiro Comando da Capital), mal chegou à Penitenciária Federal de Brasília e já foi intimado judicialmente a participar nesta segunda-feira (25) de uma audiência em um processo no qual é acusado pelo crime de associação à organização criminosa.

Segundo o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), Colorido e outros 18 réus são suspeitos de movimentar R$ 1 bilhão da facção criminosa, arrecadados com o tráfico de drogas no período de janeiro de 2018 a julho de 2019.

Colorido estava foragido desde 13 de agosto de 2014, quando deixou o CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Valparaíso (SP) na saidinha temporária do Dia dos Pais. Ele foi capturado no último dia 16 na cidade de Salgueiro, no interior pernambucano.

O criminoso ocupava uma caminhonete Hilux branca quando o veículo foi abordado por policiais rodoviários federais em uma blitz. Colorido apresentou uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) falsa. Os agentes o conduziram até uma delegacia e descobriram a verdadeira identidade dele.

Entre os mais procurados

Dez dias atrás, enquanto seu nome constava na lista dos criminosos mais procurados do país, Colorido era apontado pelo MP-SP como o número 2 do PCC nas ruas, ficando abaixo apenas de Marcos Roberto de Almeida, 52, o Tuta, ainda foragido, conforme informou esta coluna em reportagem publicada em 24 de outubro de 2020.

Porém, quando cumpriu pena junto com a cúpula do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP), no final dos anos 2000, Colorido era tido pelas autoridades policiais como integrante do segundo escalão da facção criminosa.

Natural de Jardim de Piranhas, no Rio Grande do Norte, o detento foi transferido no último dia 20 de um presídio de Pernambuco para a Penitenciária Federal de Brasília. Além de responder a processo por associação criminosa, ele é suspeito por lavagem de dinheiro.

Os processos envolvendo os 18 acusados foram desmembrados. Colorido responde à ação junto com Silvio Luiz Ferreira, 44, o Cebola, e Edmilson de Menezes, 48, o Grilo, ambos foragidos. Para a audiência de hoje foram intimadas a depor testemunhas de defesa dos réus.

Outro lado

De acordo com boletim informativo da SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária), Colorido é condenado a 23 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de homicídio, tráfico de drogas e uso de documento falso.

O MP-SP sustenta que Colorido era, até meados deste mês, o maior fornecedor de drogas do PCC. As autoridades acreditam que antes de viajar para o Nordeste, ele estava escondido na Bolívia junto com outros narcotraficantes da facção criminosa.

Bruno Ferullo, advogado de Colorido, disse que seu cliente não integra o crime organizado nem é traficante de drogas. Segundo o defensor, a inocência de Valdeci Alves dos Santos, será demonstrada ao longo da instrução processual.

O advogado acrescentou que as denúncias feitas pelo MP-SP contra Colorido são infundadas e inverídicas e que o cliente foi absolvido sumariamente da acusação pelo crime de lavagem de capitais. O defensor disse ainda que Valdeci não esteve escondido em outro país.

As disputas por poder e dinheiro dentro da principal organização criminosa do Brasil são narradas na segunda temporada do documentário do "PCC - Primeiro Cartel da Capital", produzido por MOV, a produtora de documentários do UOL, e o núcleo investigativo do UOL.