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Guerra interna do PCC chega às garagens de transporte em SP

Vista da favela de Paraisópolis, no bairro do Morumbi, São Paulo Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress
Josmar Jozino

Colunista do UOL

23/05/2022 11h52Atualizada em 09/06/2022 13h59

O "tribunal do crime" do PCC (Primeiro Comando da Capital) decretou a morte de dois integrantes da própria facção acusados de desviar ao menos R$ 500 milhões de garagens de ônibus na zona leste de São Paulo.

Os corpos das vítimas foram encontrados por policiais militares no final de semana no porta-malas de um carro abandonado no município de Embu das Artes, na Grande São Paulo. Os mortos eram conhecidos pelos apelidos de Giba e Dinho.

A reportagem apurou que Giba e Dinho foram sequestrados na tarde de sábado (21) e levados para a favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Lá, ambos foram julgados pelo "tribunal do crime" do PCC e "condenados" à morte.

Fotos dos corpos das vítimas foram postadas em redes sociais. Os dois homens assassinados apresentavam ferimentos no pescoço. Os nomes completos dos dois não tinham sido divulgados à coluna, pela Polícia Civil, até a conclusão desta reportagem.

Há informações extraoficiais de que o presidente de uma das garagens de ônibus, irmão de um preso, também foi levado para o julgamento na Favela de Paraisópolis. Porém, como ele assumiu o cargo há pouco tempo, acabou liberado pelo "tribunal do crime".

Fontes disseram à reportagem que um advogado era o responsável pela lavagem de dinheiro [R$ 500 milhões] desviado das garagens por Giba e Dinho. As fontes contaram que o advogado simulou um atentado a tiros no próprio carro para não participar do julgamento do "tribunal do crime".

O advogado teria conseguido cidadania norte-americana e as suspeitas são de que ele já estaria nos Estados Unidos, já que também teve a morte decretada pela liderança do PCC, considerada a maior facção criminosa do Brasil e com tentáculos na Bolívia, Paraguai e Colômbia.

Mortes no Tatuapé

As mesmas fontes revelaram à coluna que Giba está por trás das recentes mortes ocorridas no bairro do Tatuapé, zona leste, envolvendo integrantes do PCC. Ele teria ordenado o assassinato de Noé Alves Schaun, 42, acusado de matar Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, ligado à facção.

Ainda segundo as fontes, Dinho era sobrinho de Ricardo Pereira dos Santos, 36, o Neguinho Cunta, morto em outubro de 2012, minutos após participar do roubo de R$ 14 milhões do cofre de uma transportadora de valores de Santo Amaro, na zona sul.

Um grupo de 15 a 20 ladrões usou um ônibus com fundo falso, estacionado sobre a tampa de uma rede de esgoto, por onde os assaltantes entraram e cavaram um túnel até a sala do cofre. Na fuga, Neguinho Cunta foi atropelado pelo ônibus e morreu. Outros dois ladrões morreram em tiroteio com policiais militares.

A reportagem ligou para o delegado responsável pela assessoria de imprensa da Polícia Civil em Embu das Artes, para saber os nomes completos de Giba e Dinho, mas ainda não obteve retorno. A identificação completa dos mortos será publicada assim que houver uma manifestação.

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