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REPORTAGEM

Mais duas empresas de ônibus são investigadas por ligação com o PCC em SP

Transunião, da zona leste de SP, já foi alvo de investigação Imagem: Reprodução/Brasil Urgente
Josmar Jozino

Colunista do UOL

22/06/2022 04h00

Mais duas empresas de ônibus de São Paulo estão na mira da Polícia Civil por suspeitas de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Até agora já são quatro as companhias investigadas, sendo três na zona leste e uma na zona sul da cidade.

O Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) instaurou inquéritos para investigar essas outras duas empresas. A coluna teve acesso aos nomes das companhias, mas não vai divulgar para não prejudicar as investigações.

Uma das novas empresas investigadas é sediada na zona leste, tem uma frota de 600 veículos, emprega três mil trabalhadores e transporta 430 mil passageiros por dia. A outra companhia fica na zona sul, possui 360 veículos e opera 26 linhas.

O mesmo departamento já investigava a Transunião, do Itaim Paulista, zona leste, alvo de operação policial no último dia 9. Foram presos o diretor Jair Ramos Freitas, 50, o Cachorrão, e o ex-gerente de manutenção Devanil Souza Nascimento, 46, o Sapo.

Ambos são acusados de participação no assassinato do ex-presidente da Transunião Adauto Soares Jorge, 52, morto a tiros em 4 de março de 2020 no bairro do Lajeado, também na zona leste paulistana. Eles negam envolvimento no crime.

Segundo o Deic, a diretoria da empresa tem ligações com o PCC e é investigada por suspeita de participar da lavagem de dinheiro de familiares de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, 50, irmão de Marco Willians Herbas Camacho, 54, o Marcola, apontado como líder máximo da facção.

Adauto Soares Jorge era amigo do vereador Senival Moura (PT). Ele também está na mira do Deic. Segundo as investigações, o petista era dono de 13 ônibus na Transunião, mas declarou apenas um. Moura é investigado por lavagem de dinheiro.

Já o Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) investiga a UPBUs. A empresa foi alvo de operação policial no último dia 2. A Justiça decretou o bloqueio de R$ 40 milhões entre imóveis e veículos da companhia.

As investigações tiveram início após o assassinato de Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Cara Preta, ocorrido em dezembro do ano passado, considerado um dos maiores fornecedores de drogas e armas do PCC. O Denarc apurou que o criminoso e seus parentes eram acionistas da UPBUs.

As investigações apontaram ainda que a empresa tinha em seus quadros outros acionistas do alto escalão do PCC. São eles Décio Gouveia Luiz, 53, o Décio Português, Sílvio Luiz Ferreira, 44, o Cebola, Cláudio Marcos de Almeida, 50, o Django, e Alexandre Salles Brito, 41, o Buiu.

Recolhido em presídio federal, Décio Português é acusado de ter investido R$ 618 mil em ações na UPBUs. Django, assassinado no início deste ano na guerra interna do PCC, investiu R$ 1.236.000; Buiu, processado por tráfico, investiu R$ 123 mil, e uma parente dele, mais R$ 247 mil.

Cebola, apontado pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) como uma das principais lideranças do PCC em liberdade, investiu R$ 247 mil em ações da UPBUS. Policiais disseram que ele é dono de ao menos 56 ônibus da empresa.

Outro lado

As defesas de Cachorrão e Sapo afirmam que seus clientes são trabalhadores, honestos, de conduta ilibada, não participaram de nenhum homicídio, jamais praticaram a lavagem de dinheiro e nunca tiveram envolvimento com o crime organizado.

O vereador Senival Moura afirmou à coluna que é vítima, não tem envolvimento com essas ações e está à disposição da Justiça.

A coluna não conseguiu contato com o advogado de Décio Português e de Cebola nem com os defensores de Buiu, mas publicará a versão de todos na íntegra, assim que houver um posicionamento.

A Prefeitura de São Paulo diz em nota que as empresas investigadas foram contratadas através de licitações públicas; que está à disposição das autoridades policiais; que irá acompanhar o caso e colaborar com a polícia em tudo que for solicitada.

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