Conteúdo publicado há 28 dias
Josmar Jozino

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Reportagem

Preso que sequestraria Moro pede 'seguro' na prisão em SP por medo do PCC

Integrantes da quadrilha de Janeferson Aparecido Mariano Gomes, 48, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Sousa, 48, o Ré, estão com medo de morrer na mesma prisão. Os dois foram assassinados no último dia 17, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau), a mando do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo fontes ligadas ao sistema prisional, um deles, o presidiário Valter Lima Nascimento, 43, conhecido como Guinho, pediu ontem "seguro" (remoção para uma cela fora do convívio com os demais presos) à direção da unidade prisional. Ele foi levado para o Pavilhão Hospitalar do presídio.

Além de Guinho, também estão recolhidos na P2 de Venceslau outros três comparsas do mesmo bando. São eles: Claudinei Gomes Carias, 44, o Nei; e os irmãos Herick da Silva Soares, 23, o Sonata, e Franklin da Silva Correa, 29, o Frank.

Plano para sequestrar Sergio Moro

Todos foram presos pela Polícia Federal em março do ano passado sob a acusação de envolvimento no plano para sequestrar o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo).

A intenção da quadrilha era usar os possíveis sequestráveis como moeda de troca para conseguir a libertação dos presos da alta cúpula do PCC recolhidos nas Penitenciárias Federais de Brasília (DF) e de Porto Velho (RO). O plano foi descoberto graças a delação de um ex-integrante da facção criminosa.

Nefo e Ré, apontados pela PF como os líderes da quadrilha e chefes da célula do PCC chamada de "restrita", responsável por atentados a prédios públicos e ataques contra autoridades, foram mortos no Pavilhão 1 da P2 de Venceslau a golpes de canivete e facas, por ordem do PCC.

As suspeitas são de que eles foram assassinados porque falaram demais e também porque não cumpriram a missão de sequestrar as vítimas, deixando ainda rastros, como fotos de comparsas, armas e veículos em aparelhos de telefones celulares apreendidos pelos agentes federais.

Medo de morrer

Agentes penitenciários disseram na condição de anonimato que Nei, Sonata e Frank estão com medo de ter o mesmo fim de Nefo e de Ré. Guinho, um criminoso até então conceituado no PCC, se antecipou e já pediu "seguro" na unidade prisional.

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A Polícia Civil identificou quatro presos suspeitos de matar Nefo e Ré. Foram indiciados Luís Fernando Baron Versalli, 53, Ronaldo Arquimedes Marinho, 53, Jaime Paulino de Oliveira, 46, e Elidan Silva Ceu, 45. Os quatro foram interrogados, mas ficaram em silêncio.

Segundo a SAP (Secretaria Estadual da Administração Penitenciária), as mortes ocorreram depois do almoço, durante o banho de sol no pátio. Ré foi levado para o banheiro e acabou assassinado com golpes de canivete e um punhal artesanal. Em seguida os criminosos mataram Nefo no pátio.

A reportagem apurou que Versalli tem condenação de 69 anos e seis meses por latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídios. Em setembro de 2003, ele foi acusado de matar outro preso, Joseilton Félix, de 29 anos, na cela 317 da Penitenciária de Iaras (SP) e pegou uma pena de 16 anos.

O prisioneiro Marinho tem pena total de 39 anos e 11 meses pelos crimes de homicídio, roubos e furtos. Em outubro de 2020, ele ganhou de André Oliveira Macedo, o André do Rap, uma TV, quando o narcotraficante ligado ao PCC deixou a P2 de Venceslau beneficiado por habeas corpus.

Já o presidiário Oliveira foi condenado a 36 anos e quatro meses por homicídios registrados nas cidades de Araraquara e Campinas, no interior paulista. Oliveira, Marinho e Versalli foram isolados em pavilhão disciplinar e responderão pelo duplo homicídio.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos quatro acusados. O texto será atualizado caso haja manifestação dos defensores deles.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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