Caso Gritzbach: mandante da morte de delator tirou três RGs falsos em SP
Ler resumo da notícia
O narcotraficante Emílio Carlos Gongorra Castilho, o Cigarreiro, 44, acusado de ser o mandante do assassinato a tiros de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, 38, em novembro de 2024 no aeroporto internacional de Guarulhos, conseguiu tirar três RGs falsos em São Paulo.
Cigarreiro é fichado no IIRGD (Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt), órgão da Polícia Civil responsável pela emissão de carteiras de identidade, com três nomes, fotografias, datas de nascimento e dados de filiação distintos.
Em ofício enviado ao DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), que investiga o assassinato de Vinícius Gritzbach, o IIRGD confirmou que as impressões digitais das três fichas de identificação são mesmo de Cigarreiro.
O narcotraficante teve a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça e está foragido. Segundo investigações do DHPP, ele tem ligações com o PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo, e com o CV (Comando Vermelho) do Rio de Janeiro.
Um dos RGs falsos do criminoso foi emitido em nome de João Bortolato Fallopa e outro em nome de João Luiz da Cunha. Com esse último documento, o narcotraficante também conseguiu tirar uma carteira de identidade falsa para o filho, que tinha 11 anos à época.
O irmão gêmeo de Cigarreiro, João Paulo Gongorra Castilho, também conseguiu enganar o IIRGD. Segundo a Polícia Civil, em 19 de julho de 1980, ele obteve a emissão documento com o nome falso de Ricardo Brito da Silva.
Cigarreiro gerenciava rádio na Paulista
As façanhas criminosas de Cigarreiro não param aí. O DHPP apurou que ele gerenciava a rádio Street no 12º andar do Condomínio Edifício Parque Avenida, localizado na avenida Paulista, 1776, no coração de São Paulo, um dos principais cartões postais da cidade.

O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) descobriu a ligação de Cigarreiro com a Rádio Street ao cumprir mandados de busca em endereços relacionados ao narcotraficante, um deles na avenida Paulista, 1.776.
Os agentes encontraram sinais de desocupação de uma transmissora de rádio. Apuraram que Cigarreiro frequentava o local regularmente e era uma espécie de gerente da emissora. Os policiais descobriram ainda que Kauê do Amaral Coelho, 29, esteve lá várias vezes.
Kauê é apontado pelo DHPP como o olheiro que estava no aeroporto de Guarulhos, no dia do assassinato de Gritzbach, e avisou aos atiradores o exato momento em que a vítima deixava o saguão do terminal 2. Assim como Cigarreiro, ele também está com prisão temporária decretada e é procurado.
A reportagem apurou que a Rádio Street começou a operar no Condomínio Edifício Parque Avenida em 19 de abril de 2024 e que houve baixa na situação cadastral em 9 de janeiro de 2025. O capital inicial da emissora era de R$ 100 mil.
Fuga de Cigarreiro teve ajuda do PCC e do CV
Ainda segundo o DHPP, em 7 de novembro do ano passado, por volta das 18h, um dia antes do assassinato de Gritzbach, Cigarreiro fretou um avião de pequeno porte em Jundiaí, no interior de São Paulo e fugiu para o Rio de Janeiro, onde se refugiou na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha.
Ele foi levado até o hangar com a ajuda de pessoas ligadas a integrantes do PCC e do CV. No Rio de Janeiro contou com o apoio do sócio Alan Hilário Lopes, o Rala, que ficou paraplégico após trocar tiros com PMs do Bope (Batalhão de Operações Policiais).
As investigações apontam que desde 2007, quando Rala foi baleado pelos PMs do Rio, Cigarreiro controla o tráfico de drogas em um morro na Vila Cruzeiro. Em São Paulo, ele foi apresentado ao PCC pelo narcotraficante Anselmo Bechelli Santa Fausta, 38, o Cara Preta.
O DHPP diz que Cigarreiro mandou matar Gritzbach porque ele lhe devia R$ 4 milhões em criptomoedas e também para vingar o assassinato de Cara Preta.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Emílio Carlos Gongorra Castilho. O espaço continua aberto para manifestações. O texto será atualizado se houver um posicionamento dos defensores dele.