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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Assessor especial de Bolsonaro debocha de agressão a presidente francês

Max Guilherme Machado de Moura filma o presidente em ato no Rio - Reprodução
Max Guilherme Machado de Moura filma o presidente em ato no Rio Imagem: Reprodução
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

10/06/2021 12h04

Max Guilherme Machado de Moura, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, postou uma mensagem em seu instagram ontem debochando da agressão sofrida pelo presidente da França, Emmanuel Macron, durante visita a Tain-l'Hermitage, na região do Drôme, no sudeste do país, esta semana.

"Tem muita gente achando que é igual o presidente Bolsonaro que é só sair na rua que a população vai aplaudir!!!! Vai vendo (sic)", escreveu Max Guilherme, além de acrescentar emojis rindo do ataque. Macron se aproximou para cumprimentar a população, mas uma pessoa deu um tapa em seu rosto. Imediatamente, a segurança do presidente francês afastou o agressor. Macron não se feriu gravemente. Imagens do ataque circularam pelas redes sociais. Procurado pela coluna, Max Guilherme não retornou.

O assessor é lotado no gabinete do presidente e faz parte da lista pessoal de candidatos a deputado federal que o presidente pretende lançar em 2022. A ideia é que Moura dispute uma vaga pelo Rio de Janeiro. Os dois estiveram juntos no ato com motociclistas na capital fluminense dias atrás.

Ele é sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro e chegou a integrar o Bope. Ele é próximo da família Bolsonaro há muitos anos e, sobretudo depois do atentado sofrido pelo presidente, reforçou a sua segurança, ainda em 2018. Com a posse, se tornou assessor especial do gabinete presidencial. Ele tem um salário de R$ 8,1mil e ocupa um imóvel funcional.

Moura está ao lado de Bolsonaro quase todos os dias e faz um pouco de tudo. É segurança, mas grava vídeos e também atua na divulgação de memes e ataques a adversários do presidente em coordenação com os outros assessores do chamado "gabinete do ódio". Moura passou férias em fevereiro junto com Bolsonaro em São Francisco do Sul, em Santa Catarina, quando foram gastos R$ 2,3 milhões.

Em março, o assessor ainda integrou a comitiva do governo federal que foi a Israel, de jatinho da FAB, para ver o spray nasal contra a covid-19 que está em testes naquele país. Após as críticas, o governo divulgou que era uma viagem para compartilhar tecnologia em várias áreas contra a covid.