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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Interações nas redes sociais de Carlos Bolsonaro despencam

Carlos Bolsonaro e o presidente Jair Bolsonaro - Reprodução/Instagram
Carlos Bolsonaro e o presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

08/09/2021 15h41Atualizada em 08/09/2021 15h54

Um levantamento inédito feito pela consultoria de dados Arquimedes, obtido com exclusividade pela coluna, mostra que as interações nas redes sociais do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) despencaram nos últimos dois meses. Ele não esteve com o presidente Jair Bolsonaro nos atos de 7 de setembro na terça-feira.

Os dados da pesquisa mostram que os números dos perfis de Carlos no Instagram, Facebook e Twitter são os piores desde o início do governo de Jair Bolsonaro. Desde janeiro de 2019, o vereador possui os melhores números no Instagram. A média mensal era de cerca de 3,15 milhões de interações. No entanto, em julho, este número foi de 2,6 milhões e, em agosto, reduziu a 2 milhões.

O mesmo ocorreu no seu perfil no Twitter e no Facebook. No Twitter, a média mensal de Carlos desde janeiro de 2019, é de 2,15 milhões. Mas em julho foi de 1,33 milhões e em agosto caiu ainda mais: 937 mil. Já no Facebook, a média era de 1 milhão. Em julho, Carlos obteve apenas 898 mil e, no mês passado, 531 mil.

Carlos Bolsonaro é frequentemente citado pelo presidente Jair Bolsonaro como o responsável pela vitória na eleição de 2018. O presidente também costuma atribuir êxito à estratégia usada por Carlos nas redes sociais. O vereador montou um grupo de assessores de confiança que movimenta perfis e páginas nas redes com memes e ataques a adversários políticos da família Bolsonaro. No entanto, desde o ano passado, o grupo de assessores presidenciais, conhecido como "gabinete do ódio", é alvo de inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal). Carlos e os assessores negam irregularidades.

Redução de postagens

Esses números nas redes sociais de Carlos Bolsonaro também refletem uma redução nas postagens. A média mensal de posts do vereador no Facebook era de 92. Mas, em agosto, ele só postou 43 vezes. No perfil do Instagram, o costume era postar 86 vezes por mês. Em agosto, foram só 44 posts.

O Twitter foi o lugar onde Carlos Bolsonaro diminuiu mais sua presença digital. A média mensal dele era de 235 posts. No entanto, em agosto, ele postou 68 vezes - redução de 71%.

Pedro Bruzzi, fundador e sócio da Arquimedes, explica que o restante da família Bolsonaro manteve sua média de interações e posts. Apenas Carlos Bolsonaro registrou essa mudança.

"É no mínimo curiosa a redução do volume de posts do vereador Carlos Bolsonaro nos últimos meses. E isso ocorre justamente no momento em que o bolsonarismo inflama nas redes, com a campanha pelo voto impresso e as convocações para as manifestações de 7 de setembro. Outro fato importante nesse período foi a prisão de Roberto Jefferson. Dá-se a impressão de que o 02 está mais cauteloso", afirmou Bruzzi.

Longe dos atos de 7 de setembro

Carlos não acompanhou os atos em Brasília e São Paulo ao lado do pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A coluna apurou que o motivo está relacionado ao fato das manifestações terem como foco um discurso inconstitucional contra o STF (Supremo Tribunal Federal).

Além disso, o alvo preferencial de críticas dos bolsonaristas é o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que apura a existência de uma organização criminosa digital que atenta contra a democracia. Há algum tempo, os interlocutores mais próximos de Bolsonaro temem que o "02" seja alvo de alguma medida do STF.

O período de redução de posts também coincide com o período de radicalização do discurso do presidente e da convocação para motociatas pelo país e para as manifestações do 7 de setembro.

Nos últimos dias, também foi tornada pública a decisão do TJ-RJ que autorizou a quebra de sigilo bancária e fiscal de Carlos e de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro e mais 25 pessoas. A quebra foi autorizada no dia 24 de maio, mas foi noticiada apenas na semana passada.

O MP-RJ investiga Carlos e uma série de ex-assessores desde julho de 2019 por suspeitas de devolução de salários, a rachadinha, e a existência de nomeações de "funcionários fantasmas" — pessoas que não trabalhavam de fato como assessores parlamentares.