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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Governador do Rio é aconselhado a se descolar de Jair Bolsonaro

Governador do Rio, Cláudio Castro, em inauguração no Rio -  WALLACE SILVA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Governador do Rio, Cláudio Castro, em inauguração no Rio Imagem: WALLACE SILVA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

04/10/2021 07h00

Há algum tempo o governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), está sendo aconselhado por interlocutores próximos a descolar sua imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido - RJ). Os conselheiros de Castro estão atentos aos números das pesquisas que mostram a reprovação do presidente junto à população e temem os reflexos disso até a eleição de 2022. No último Datafolha, a reprovação foi a 53%. Mas a equipe do governador está atenta a diferentes pesquisas e, por isso, alerta para um distanciamento gradual.

Um episódio que demonstrou essa distância ocorreu nos protestos de 7 de setembro. O governador não integrou os grupos bolsonaristas que estiveram na orla da Praia de Copacabana em apoio ao discurso antidemocrático de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Castro foi ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) com um discurso de que iria monitorar as manifestações.

No entanto, uma semana antes, no dia 1º de setembro, o presidente Jair Bolsonaro esteve no Rio de Janeiro para uma cerimônia de entrega da Medalha Mérito Desportivo Militar na Marinha. No mesmo dia, Castro fez agendas em Brasília. A coluna apurou que a viagem foi um jeito de evitar um encontro com o presidente que estava engajado nas convocações para os atos no feriado do dia da independência.

Ao mesmo tempo, o governador cuida para não romper com o presidente e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) já que ambos o apoiaram quando Wilson Witzel foi afastado do governo no ano passado. Um rompimento também não iria soar bem junto ao eleitorado fluminense.

Uma considerável parte dos eleitores que apoiaram a chapa Witzel/Castro eram fiéis ao bolsonarismo e romperam com o ex-governador quando Witzel entrou em confronto com Bolsonaro. Castro não quer seguir esse exemplo e, apesar de alguma distância criada, é constantemente cobrado pela lealdade.

Tanto é que, na semana passada, na inauguração da primeira termelétrica no Porto do Açu, em São João da Barra, no norte Fluminense, Castro fez acenos ao presidente. Sob os olhos do senador Flávio, que estava presente, disse que está ligado a Jair Bolsonaro e mantém contato.

Interlocutores avaliam que esse cenário de acenos e distanciamento deve permanecer até o momento de definição das coligações partidárias em 2022. Só nesse momento é que será possível ter certeza de como ficará a situação no Rio e também no cenário nacional.