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REPORTAGEM

Após votação do relatório, senadores vão se articular por CPI da rachadinha

Andrea Valle, ex-cunhada de Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram
Juliana Dal Piva

Colunista do UOL

22/10/2021 11h49

Os senadores que atuam no chamado G7 da CPI da Pandemia já discutem os próximos passos depois da aprovação do relatório da comissão que apurou os problemas e as omissões do governo federal no combate à covid-19 que já deixou mais de 600 mil mortos no Brasil. A coluna apurou que, logo após a votação, os senadores vão se articular para coletar as assinaturas necessárias para a instalação de uma nova CPI, desta vez, para apurar os indícios de entrega obrigatória de salários de ex-assessores no antigo gabinete de Jair Bolsonaro, no período em que ele foi deputado federal, a chamada rachadinha.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou ainda em julho um pedido para a instalação de uma CPI para apurar os fatos revelados no podcast A vida secreta de Jair e em reportagens da coluna. Na ocasião, foram reveladas gravações de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro, que indicam um envolvimento direto de Bolsonaro no esquema ilegal.

Em julho, ao protocolar o pedido de CPI, Vieira disse que "os fatos são gravíssimos e exigem apuração. O Senado tem legitimidade e estatura para fazer essa investigação, mesmo em um momento tão difícil da nossa história".

Ex-cunhado demitido

Em uma das gravações, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle afirma que Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver a maior parte do salário como assessor.

"O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: 'Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'.

Em outra gravação, a ex-cunhada do presidente diz que um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), atuou no recolhimento de salários dela , no período em que constava como assessora do antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Procurado pela coluna, na ocasião, o advogado Frederick Wassef afirmou que o presidente Jair Bolsonaro jamais cometeu tais ilegalidades.

Renan queria ouvir ex-cunhada

Ainda em julho, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) queria solicitar a convocação de Andrea, mas não conseguiu consenso no grupo do G7. A CPI da Pandemia chegou a aprovar a convocação de Ana Cristina Valle, irmã de Andrea e segunda mulher do presidente, para falar sobre sua relação com o lobista Marconny Faria que atuou pela Precisa Medicamentos, empresa investigada na aquisicão das vacinas Covaxin.

Ana Cristina e o lobista trocaram algumas mensagens, descobertas pelo MPF do Pará, no ano passado, e que indicavam que ela tentou ajudá-lo a obter nomeações para cargos no governo federal. No entanto, a convocação dela nunca foi efetivada porque também faltou consenso no G7. Ana Cristina só foi citada uma vez no relatório de Renan Calheiros, o relator da CPI, e foi justamente por sua relação de proximidade com Marconny. Ela, porém, não consta na lista de indiciados, apenas o lobista foi incluído junto com os indiciados do caso da Covaxin.

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