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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Saída de Deltan do MPF casada com Moro dividiu procuradores: "abriu flanco"

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba - Fernando Frazão/ Agência Brasil
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba Imagem: Fernando Frazão/ Agência Brasil
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

05/11/2021 08h48Atualizada em 05/11/2021 14h33

O anúncio do agora ex-procurador Deltan Dallagnol sobre sua saída do MPF (Ministério Público Federal), na mesma semana em que o ex-juiz Sergio Moro iniciou encontros e reuniões para moldar uma pré-candidatura à presidência da República, dividiu procuradores que trabalharam e conhecem Deltan.

A coluna conversou com alguns procuradores que contaram o clima nos grupos de Whatsapp e na rede interna de emails. A possibilidade de que Deltan fosse partir para uma carreira política já era vista por colegas há algum tempo. Assim, a saída do MPF ontem não foi exatamente uma surpresa. Alguns desejaram sorte e elogiaram o colega. Outros criticaram. Escreveram nesses grupos mensagens como "Já vai tarde" e "Ainda bem que foi embora", "Vamos poder reconstruir o MPF".

Mas o anúncio de Deltan, casado com as ações de Moro em Brasília, foi criticado internamente no MPF. Para alguns procuradores, Deltan reforçou o flanco de críticas públicas de que a Operação Lava Jato tinha objetivos políticos. Para um grupo de procuradores que atua na área criminal, o anúncio de Deltan ontem prejudicou ainda mais o trabalho da instituição e ele deve ter aumentado até sua rejeição entre os agora ex-colegas.

Deltan era, até o auge da Operação Lava Jato, uma figura forte dentro do MPF e com grande apoio dos colegas. No entanto, desde o vazamento das mensagens entre ele, outros membros do MPF e Moro, caso divulgado pelo site The Intercept, Deltan passou a perder apoio.

Um episódio relatado por procuradores à coluna ontem ocorreu durante a mobilização de membros do MPF contra a PEC 5, que foi derrotada na Câmara dos Deputados e podia modificar a composição do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

Alguns membros do MPF tinham aconselhado Deltan a não se envolver diretamente nas manifestações para não piorar o clima de críticas à instituição, oriundo, em especial, da série de reportagens da Vazajato.

No entanto, Deltan ignorou o pedido e, mesmo assim, fez manifestações públicas no Twitter sobre o tema. Agora, com o anúncio da saída, alguns procuradores acreditaram que ele já estava fazendo uma movimentação política pensando no anúncio de sua saída do MPF.

Deltan ainda não anunciou seus planos, mas há expectativa de que ele se filie ao Podemos para disputar algum cargo na eleição em 2022.