PUBLICIDADE
Topo

Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Em coquetel com governador do Rio, Garotinho pede desculpas a Eduardo Cunha

Eduardo Cunha é conduzido por agentes - Heuler Andrey/AFP
Eduardo Cunha é conduzido por agentes Imagem: Heuler Andrey/AFP
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

09/11/2021 16h08

O governador do Rio, Cláudio Castro, recebeu um grupo de pouco mais de 20 políticos na noite de segunda (8) no Palácio Laranjeiras para um coquetel que celebrou o apoio do União Brasil, criado da fusão de DEM e PSL, ao seu governo. Em determinado momento, Castro cedeu a palavra aos convidados e, após a manifestação de alguns, o ex-governador Anthony Garotinho aproveitou o momento para dizer à publicitária Danielle Cunha que gostaria de se desculpar com seu pai, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados cassado e preso em 2016 pela Operação Lava Jato. Cunha não estava presente.

Um político presente contou à coluna que Garotinho começou citando uma história que disse ter ouvido de Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, morto em 2004. Garotinho contou que o gaúcho recordou a ele de quando Carlos Lacerda foi atrás do ex-presidente João Goulart no exílio, em plena ditadura, para se desculpar por "excessos" no período anterior ao golpe militar e procurar apoio.

Na história relatada por Garotinho, Jango teria ouvido e, antes de falar qualquer coisa, pediu que Lacerda repetisse o pedido de desculpas na frente de seus filhos. Garotinho disse que citava o caso para falar a Danielle Cunha, presente no coquetel, que recordava que o pai dela tinha estado junto com ele e sua mulher, Rosinha, ex-governadora do Rio, até o fim da gestão dela.

Por fim, Garotinho disse a Danielle que acreditava que muitas coisas que Cunha passou foram injustas e que gostaria de usar aquele momento para se desculpar com ele. O ex-governador não especificou que coisas teriam sido injustas.

O discurso de Garotinho foi feito na frente do governador Cláudio Castro (PL-RJ), do senador Romário (PL-RJ), dos deputados federais Altineu Cortes (PL-RJ) e Chiquinho Brazão (Avante-RJ), sargento Gurgel (PSL-RJ), coordenador da bancada federal fluminense. Ainda estavam lá os deputados estaduais Pedro Brazão (PR-RJ) e Márcio Canela (MDB-RJ) e Antônio Rueda, vice-presidente do União Brasil, entre outros políticos. Fora os integrantes do PL, boa parte desse grupo deve migrar para o União Brasil para disputar as eleições em 2022.

Garotinho passou anos fazendo críticas públicas a Eduardo Cunha. Em 2014, Garotinho escreveu em seu blog que Cunha era um "deputado-lobista", entre outras diversas farpas trocadas publicamente. Em 2011, Cunha escreveu no Twitter que seria bom detalhar "todas as reuniões" que teve com Garotinho. O ex-governador respondeu que o ex-colega de partido devia contar o que fazia após as reuniões.

Eduardo Cunha foi condenado em processos relacionados à Operação Lava Jato em Curitiba, mas foi colocado em prisão domiciliar devido à pandemia e recentemente teve as prisões preventivas revogadas. Em março de 2017, o ex-juiz Sergio Moro condenou Cunha a 15 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Essa condenação foi anulada pelo STF por considerar a Justiça Federal de Curitiba incompetente. Cunha aguarda em liberdade o julgamento de outros processos.

Procurado, Eduardo Cunha não quis se manifestar. Garotinho não retornou.