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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Aliados de Claudio Castro não gostaram da chegada de Jair Bolsonaro ao PL

Governador do Rio, Cláudio Castro, em inauguração do programa Bairro Seguro -  WALLACE SILVA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Governador do Rio, Cláudio Castro, em inauguração do programa Bairro Seguro Imagem: WALLACE SILVA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

14/11/2021 04h00

O anúncio da filiação do presidente Jair Bolsonaro no PL (Partido Liberal) pegou o governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), e seu grupo de surpresa nessa semana. Como há algum tempo Castro vinha sendo aconselhado por interlocutores a descolar sua imagem do presidente, a chegada de Bolsonaro ao seu partido causou preocupação.

Os conselheiros do governador estão atentos aos números das pesquisas que mostram a reprovação do presidente junto à população e temem os reflexos disso até a eleição de 2022. No último Datafolha, a reprovação foi a 53%. Um interlocutor contou à coluna que a ideia era fazer um distanciamento gradual e tentar atrair eleitores do centro que não estão contentes com o bolsonarismo.

No entanto, com a chegada de Bolsonaro ao partido, a sensação é de que o governador terá obrigação de fazer campanha pela reeleição do presidente. Há também uma avaliação de integrantes do PL de que uma tentativa de Castro de descolar a imagem de Bolsonaro pode ser mal vista pelo eleitor bolsonarista que poderia migrar para outro candidato da centro-direita. O governador correria o risco de perder o eleitor que vota em Bolsonaro sem conseguir atingir outros do centro e da esquerda.

Na bancada de deputados estaduais que pretendia ir para o PL, antes de Bolsonaro anunciar a filiação, também ficou uma preocupação com a chegada do grupo do presidente. Nos corredores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), sobra nervosismo sobre como será o espaço político e a divisão das verbas para financiamento das campanhas. Diferente do que se podia imaginar, a opção de Bolsonaro pelo PL deixou um rastro de gente descontente entre antigos bolsonaristas.

Castro evitou Bolsonaro

Um episódio que demonstrou essa distância ocorreu nos protestos de 7 de setembro. O governador não integrou os grupos bolsonaristas que estiveram na orla da Praia de Copacabana em apoio ao discurso antidemocrático de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Castro foi ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) com um discurso de que iria monitorar as manifestações.

No entanto, uma semana antes, no dia 1º de setembro, o presidente Jair Bolsonaro esteve no Rio de Janeiro para uma cerimônia de entrega da Medalha Mérito Desportivo Militar na Marinha. No mesmo dia, Castro fez agendas em Brasília. A coluna apurou que a viagem foi um jeito de evitar um encontro com o presidente que estava engajado nas convocações para os atos no feriado do dia da independência.

Ao mesmo tempo, o governador cuida para não romper com o presidente e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) já que ambos o apoiaram quando Wilson Witzel foi afastado do governo no ano passado.

Uma considerável parte dos eleitores que apoiaram a chapa Witzel/Castro eram fiéis ao bolsonarismo e romperam com o ex-governador quando Witzel entrou em confronto com Bolsonaro. Castro não quer seguir esse exemplo e, apesar de alguma distância criada, é constantemente cobrado pela lealdade.