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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Senado cobra Itamaraty sobre censura a jornalistas brasileiros em Portugal

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado - Pedro Gontijo/Senado Federal
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Imagem: Pedro Gontijo/Senado Federal
Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

12/05/2022 12h23

O senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional, pediu explicações ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) na quarta-feira (11) sobre a situação de jornalistas brasileiros que estão censurados em Portugal e há mais de 2 meses com salários confiscados por bancos locais, como o ActivoBank e o Novo Banco.

A situação é relativa a profissionais que trabalham para a Sputnik Brasil, agência russa de notícias cujos jornalistas estão censurados em Portugal e em outros países da União Europeia, como parte das sanções impostas pelo bloco à Rússia devido à Guerra da Ucrânia. Apesar do bloqueio à Rússia no SWIFT ter entrado em vigor apenas em março, os jornalistas têm comprovantes de transferências feitas pela empresa russa entre os dias 25 e 28 de fevereiro. No entanto, os bancos portugueses não concretizaram as operações financeiras, confiscando o dinheiro.

Em ofício, enviado ao embaixador Achilles Zaluar, chefe de gabinete do chanceler Carlos França, Pacheco questiona o MRE a respeito das medidas cabíveis para a resolução do problema. O presidente do Senado esteve em Portugal no fim de abril, quando recebeu inúmeros apelos por parte dos jornalistas brasileiros censurados e com os salários confiscados.

Já na última semana, Pacheco reuniu-se com o embaixador de Portugal em Brasília, Luís Faro Ramos, para tratar do problema. A reunião aconteceu após o jornalista luso-brasileiro Lauro Neto, correspondente em Lisboa, realizar um protesto pacífico e simbólico em frente ao Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro no dia 25 de Abril, data da celebração da Revolução dos Cravos, que marcou o fim da ditadura portuguesa.

"Tenho mais de 160 reportagens censuradas há 2 meses e meio em Portugal e na UE. Nenhuma delas sobre Rússia ou Ucrânia. Isso é um atentado à liberdade de imprensa num continente que se pretende um exemplo de democracia", afirmou Neto à coluna. "As autoridades portuguesas já foram notificadas, mas nada fizeram. Será preciso o Brasil intervir e causar constrangimentos diplomáticos no ano de celebração do bicentenário da Independência?", questionou o jornalista.

Após o protesto dele no consulado, o cônsul-geral adjunto, João Marcos de Deus, escreveu uma mensagem a Neto dizendo que encaminhou o assunto para autoridades no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa. "Este consulado-geral não dispõe de competência para resolver o seu problema e atender ao seu pedido", escreveu.