Topo

Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pré-candidato, Léo Índio não aparece para trabalhar no Senado há meses

Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro - Reprodução/Instagram
Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram

Colunista do UOL

26/06/2022 04h00

Receba os novos posts desta coluna no seu e-mail

Email inválido

Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, é assessor da liderança do PL (Partido Liberal) no Senado desde dezembro de 2021. No entanto, segundo relatos de servidores da Casa ouvidos pela coluna, ele não aparece no Senado nos horários de expediente desde a primeira semana de março.

Léo Índio é sobrinho do presidente Jair Bolsonaro e primo de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro. O cargo de Léo no Senado é de auxiliar administrativo júnior e recebe um salário de R$ 5.735,93. A coluna procurou o sobrinho de Jair Bolsonaro na quinta e sexta-feira da última semana e não obteve resposta. Procurado, o senador Carlos Portinho (PL-RJ), responsável pelo gabinete da liderança do partido até 10 de junho, informou, por nota, que Leonardo era "responsável pelo setor de relações institucionais da liderança com ministérios e demais órgãos de governo" e que atendia as demandas "tanto de forma presencial, como remota".

Segundo os relatos ouvidos pela coluna, já no ano passado Léo Índio frequentava pouco o Senado. No entanto, no breve período de trabalho, ele chegou a levar para sua mesa uma caneca com a inscrição "cloroquina".

Ele é pré-candidato a deputado distrital pelo PL. Em março, ele estava no Movimento Filia Brasil com o presidente e contou sobre a decisão de disputar um cargo no Legislativo do Distrito Federal.

Ele veio para Brasília após a eleição de Bolsonaro, em 2019, e trabalhou como assessor do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) até o parlamentar ser flagrado com R$ 30 mil na cueca.

Antes dos cargos no Senado, Carlos Bolsonaro tentou emplacar Léo no Planalto. A ideia era que ele ocupasse algum cargo na Secretaria de Governo da Presidência da República. No entanto, o sobrinho do presidente foi barrado pelo então ministro da pasta, o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Auxiliares do ministro, à época, avaliaram que o currículo do sobrinho do presidente não tinha as qualificações necessárias para o cargo no ministério. Léo não possui ensino superior e sua experiência profissional prévia era como vendedor, além de assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na época da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Justamente o período como assessor na Alerj fez com que ele fosse incluído pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) entre os investigados do caso de Flávio na rachadinha do gabinete.

No ano passado, o UOL mostrou que Mariana Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio, fez pagamentos de despesas locatárias de uma quitinete no centro do Rio, onde Léo morava. O dinheiro provinha da conta de Mariana, no período em que Flávio foi deputado estadual e que Léo constava como seu assessor na Alerj, ao longo de 2007.

Foram cinco pagamentos. Em fevereiro de 2007, Mariana fez uma transferência identificada como "al.leo" para Norival Dantas, que alugava imóvel para Léo Índio. O valor foi de R$ 503. No mês seguinte, repetiu a operação para Dantas, no valor de R$ 460 — dessa vez, anotou "condomin".