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Para não perder voto jovem, veto de Trump ao TikTok só valerá após eleição

SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Imagem: SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

18/09/2020 14h16

O presidente Donald Trump não é bobo. A cruzada contra o TikTok deverá ter efeito real para os 100 milhões de usuários nos Estados Unidos (EUA) somente a partir de 12 de novembro, quando os americanos já terão votado. Ou seja, não deve haver efeito eleitoral negativo para Trump nas eleições de 3 de novembro.

A partir deste domingo, 20 de setembro, não haverá veto, mas restrições leves para a atualização do aplicativo de propriedade chinesa. Na prática, jovens americanos loucos por divulgar vídeos curtos na internet poderão continuar a usar normalmente o TikTok.

Jovens "tiktokeiros" reivindicam a façanha de terem sabotado um comício de Trump em Tulsa (Oklahoma), no dia 20 de junho, o primeiro que o presidente realizou após fortes restrições a aglomerações que entraram em vigor a partir de março devido à pandemia de coronavírus.

O aplicativo chinês que sofrerá forte restrição a partir de domingo é o WeChat, utilizado para mensagens instantâneas e outros serviços, como pagamentos via internet. No domingo, será ilegal usá-lo nos EUA.

Até novembro, o governo Trump espera ter chegado a um acordo para que uma empresa americana assuma o controle dos dois aplicativos no país. A Microsoft e a Orange têm feito tratativas no sentido de adquirir o controle do TikTok, que hoje é da chinesa ByteDance.

Nos EUA, aplicativo Messenger é o mais utilizado

O efeito eleitoral, no caso do WeChat, tende a ser pequeno porque, na comparação com outros aplicativos de mensagens, como o WhatsApp e o Messenger, o aplicativo é pouco utilizado nos EUA.

São apenas 16 milhões de usuários. O WhatsApp tem 68 milhões de adeptos. O campeão é o Messenger, com mais de 106 milhões de usuários. Os EUA têm 328 milhões de habitantes (número de 2019).

Brasileiros ficam surpresos ao descobrir que o WhatsApp é pouco usado nos EUA na comparação com o Messenger. No Brasil, são mais de 120 milhões de assinantes do WhatsApp contra pouco mais de 30 milhões que utilizam o Messenger. Ambos pertencem ao Facebook.

O WeChat está em expansão no Brasil, mas não há estimativa confiável sobre o número de usuários.

A nova Guerra Fria de Trump

Para tentar transferir responsabilidades pela resposta negligente à pandemia de coronavírus, Trump passou a atacar a China, estimulando uma espécie de nova Guerra Fria entre as duas principais potências do século 21.

O presidente americano frequentemente se refere ao coronavírus como "vírus chinês" e resolveu comprar briga contra o TikTok e o WeChat para se vender como durão contra Pequim e impedir que aplicativos chineses espionem pessoas, empresas e o governo nos EUA.

Os ataques de Trump à China, portanto, devem ser vistos no contexto da disputa eleitoral, na qual o presidente está atrás do democrata Joe Biden nas pesquisas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.