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Kennedy Alencar

Pintou onda vermelha, mas voto antecipado e rejeição a Trump ajudam Biden

Trump lidera na Flórida, mas disputa é apertada em estados-chave - Morry Gash e Jim Watson/AFP
Trump lidera na Flórida, mas disputa é apertada em estados-chave Imagem: Morry Gash e Jim Watson/AFP
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

04/11/2020 00h41Atualizada em 04/11/2020 12h07

A primeira noite de apuração da eleição americana está confirmando o cenário de surgimento da onda vermelha, a cor do Partido Republicano. Ou seja, votos mais favoráveis ao presidente Donald Trump sendo contabilizados e vitória em estados nos quais o republicano venceu em 2016 e está conseguindo defender agora, como a Flórida.

Mas o candidato democrata, Joe Biden, ainda mantém abertas opções de combinação no Colégio Eleitoral. Não está levando a Flórida e está perdendo lá por diferença maior do que Hillary Clinton em 2016. Mas o resultado está dentro da margem de erro das pesquisas, novamente demonizadas precoce e erradamente.

Para vencer no Colégio Eleitoral, é preciso obter maioria absoluta, 270 dos 538 delegados. Mais de 100 milhões de americanos votaram antecipadamente. Esses votos tendem, de maneira geral, a serem contados depois dos votos dados no dia da eleição, esta terça-feira, 3 de novembro.

No voto antecipado, havia tendência maior de voto em Biden. O eleitor republicano pretendia votar na sua maioria no dia da eleição.

Trump viu que os democratas mobilizaram sua base a votar antecipadamente e fez comícios em série para convencer seus eleitores a ir às urnas no dia da eleição.

A base de Trump gosta dele. A base de Biden rejeita mais o republicano do que gosta do democrata. Esta é uma eleição que tende a ser decidida pela rejeição. Biden continua favorito. Vamos aguardar a contagem dos votos e ver como Arizona, Virgínia, Michigan e Wisconsin amanhecerão nesta quarta-feira. A Pensilvânia talvez demande mais uns dias. Biden permanece favorito e pode pintar a onda azul, cor do Partido Democrata.

A autodeclaração de vitória de Trump durante a madrugada faz parte da estratégia do presidente para tentar interromper a apuração e invalidar, na prática, votos antecipados que tendem a ser mais favoráveis ao democrata. "Isso é uma fraude, uma vergonha para o nosso país", disse Trump. A campanha de Biden reagiu, defendendo que todos os votos sejam contados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.