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Kennedy Alencar

Levar eleição dos EUA à Suprema Corte não seria fácil nem seguro para Trump

Presidente fez três nomeações ao tribunal máximo dos EUA e consolidou maioria conservadora - CARLOS BARRIA/REUTERS
Presidente fez três nomeações ao tribunal máximo dos EUA e consolidou maioria conservadora Imagem: CARLOS BARRIA/REUTERS
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

04/11/2020 11h19

Será preciso ver se o presidente Donald Trump e o Partido Republicano partirão da ameaça para uma ação concreta a fim de judicializar a apuração eleitoral na Suprema Corte dos Estados Unidos. Há todo um caminho tortuoso, que passa por instâncias do Judiciário, para a questão ser decidida no mais alto tribunal do país.

Num país tão polarizado e com a tradição de votos pelo correio, será que a Suprema Corte vai meter o bedelho nesse vespeiro se, de fato, tiver de lidar com um pedido concreto?

O voto antecipado é uma tradição dos Estados Unidos. Votar pelo correio aconteceu no meio da Guerra Civil americana (1860-1865), quando o presidente Abraham Lincoln se reelegeu em 1864. Os estados têm autonomia na federação para estabelecer suas regras eleitorais.

Trump não tem nenhuma evidência de fraude na eleição. É mentira postar nas redes sociais que haverá fraude na apuração. O republicano também tem recebido votos significativos via correio, porque, em muitos estados, os republicanos utilizam esse método de escolha.

O presidente americano preparou o circo na Suprema Corte. Apontou e aprovou no Senado três ministros no seu mandato. A mais recente indicação em plena reta final da eleição, a da juíza federal Amy Coney Barrett, consolidou maioria conservadora no tribunal. Dos 9 ministros da Suprema Corte, 6 são conservadores e 3 liberais.

Como se confirmou o cenário de disputa mais apertada, com forte dependência de resultados de estados do meio-oeste, Trump seria capaz de partir para ação no tapetão se enxergar que o caminho para obter os 270 votos (maioria absoluta dos 538 delegados) no Colégio Eleitoral não vai ser viável? Sim.

Mas os democratas também podem judicializar a disputa, a depender das margens que prevalecerem nos resultados finais. Em resumo, não será fácil levar a questão à Suprema Corte e vencer. Melhor contar todos os votos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.