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Kennedy Alencar

Interesse por Colégio Eleitoral mostra degradação da democracia nos EUA

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, acompanha discurso da vice Kamala Harris em Wilmington, Delaware - Roberto Schmidt/AFP
O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, acompanha discurso da vice Kamala Harris em Wilmington, Delaware Imagem: Roberto Schmidt/AFP
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na “Folha de S.Paulo”, onde foi redator, repórter, editor da coluna “Painel” e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro “Kosovo, a Guerra dos Covardes” (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas “É Notícia” e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário “What Happened to Brazil”, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada “Brasil em Transe”, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

14/12/2020 21h12

O grau de interesse jornalístico pela confirmação da vitória de Joe Biden no Colégio Eleitoral é um exemplo de como se degradou a democracia americana. Bastou um presidente candidato a ditador para abalar os alicerces da democracia mais respeitada do planeta.

Se isso aconteceu nos Estados Unidos em 2020, não devemos ter nenhuma ilusão de que o presidente Jair Bolsonaro não tentará repetir em 2022 a estratégia de uso da mentira como arma política e da recusa em aceitar um resultado eleitoral limpo.

A confirmação do Colégio Eleitoral é uma mera formalidade, mas o presidente Donald Trump tentou dar um golpe judicial e político contra a vitória de Biden. Esse ato formal ganhou importância porque Trump, primeiro, apresentou pedidos à Justiça baseado em mentiras. É educado demais falar em falta de provas para tentar invalidar a vitória do Partido Democrata.

Depois, tentou simplesmente mudar a vontade do eleitor pedindo uma intervenção política de governadores republicanos, mas não deu certo. Republicanos resistiram ao golpismo de Trump.

No Brasil, sem Colégio Eleitoral, Bolsonaro já prepara o discurso contra a urna eletrônica, a mesma que confirmou a sua vitória em 2018. A forma como ele lida com a pandemia, mentindo de cara lavada e cometendo crimes de responsabilidade sem ser chamado às favas legal e politicamente, dá ao presidente brasileiro a sensação de impunidade de que vale a pena continuar desrespeitando a Constituição.

Acompanhar o processo americano de perto ajuda a compreender semelhanças e diferenças com o que acontece no Brasil de Bolsonaro. Lá, a imprensa e a elite não tiveram o mesmo grau de omissão e cumplicidade com a barbárie. Isso faz a diferença.

Placar federal

Até as 20h33 no horário de Brasília, Biden havia atingido 302 votos no Colégio Eleitoral, segundo a rede de TV CNN. Bastavam 270, a maioria absoluta dos 538 delegados. Salvo algo excepcional, o democrata deverá atingir 306 contra 232 de Trump, resultado que refletiria a vontade dos eleitores nos 50 Estados e no Distrito de Columbia.