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Kennedy Alencar

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Lira "cozinha" Bolsonaro e vê risco para oposição se Mourão chegar ao poder

Presidente da Câmara, Arthur Lira - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara, Arthur Lira Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

07/07/2021 16h25

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer "cozinhar o galo". Segundo ele, não é o momento de tocar adiante um eventual pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Lira sentiu o golpe no fim de semana. Nas manifestações, apareceu como cúmplice do "genocida" e "ladrão de vacinas", palavras de ordem que ganharam as ruas nos cartazes e no coro dos manifestantes que defenderam o impeachment de Bolsonaro.

"Cozinhem o galo, mas não quebrem o fogão", diz Lira, incomodado por ter virado alvo dos protestos do último sábado. O presidente da Câmara faz um cálculo típico da política como ela é.

Quanto mais fraco Bolsonaro estiver, mais forte ele e o Centrão estarão. No entanto, há possibilidade de um ponto de virada. Se a conjuntura política se complicar para Bolsonaro, como está acontecendo na medida em que a CPI da Pandemia avança, Lira poderá tocar adiante um pedido de impeachment.

Enquanto isso não acontece, parlamentares que defendem um governo em franco declínio podem tirar proveito de um presidente fraco. Lira está nessa exata posição. Não morre de amor por Bolsonaro, mas não tem motivo para descartá-lo, por ora. Em outras palavras, a fraqueza de Bolsonaro fortalece Lira.

O presidente da Câmara rebate as críticas por não dar provimento a um pedido de impeachment. Para ele, há dois cenários no caso de aceitar um pedido.

No mais provável hoje, Bolsonaro obteria os votos para derrubar o prosseguimento do pedido de impeachment e posaria de vencedor. No menos provável, o impeachment seria aprovado, Bolsonaro sairia de cena e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, surpreenderia a oposição.

Segundo Lira, Mourão teria apoio militar maior do que Bolsonaro. Poderia ficar mais tentado a uma saída golpista com apoio das Forças Armadas. Poderia também, jogando o jogo, construir uma candidatura mais competitiva contra a oposição.

Entre o poder que alcançou com um presidente fraco e com o cenário de alternância no Palácio do Planalto, Lira se comporta como um equilibrista. Está hoje com Bolsonaro. Mas amanhã será outro dia.