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Pesquisa mostra que EUA se sentem menos seguros após ataque de Trump ao Irã

Reuters
Imagem: Reuters
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em diversos países e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). É diretor da ONG Repórter Brasil, conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), entre outros.

Colunista do UOL

09/01/2020 16h36

A maioria dos norte-americanos considerou "imprudente" o comportamento do presidente Donald Trump contra o Irã. Foram 52% contra 34%, de acordo com pesquisa realizada pelo jornal USA Today, um dos principais do país.

O levantamento, realizado entre terça e quarta, tem uma margem de erro de 3,5 pontos percentuais. De acordo com o jornal, o ataque com 22 mísseis iranianos contra duas bases norte-americanas ocorreu quando as entrevistas para a pesquisa jjá estavam no fim e antes que Trump falasse a seu país, dizendo que não reagiria de forma militar, preferindo sanções econômicas.

A pesquisa aponta que 55% dos norte-americanos acreditam que o assassinato do general Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã e a principal figura militar do país, por ordem de Trump, na sexta (3), tornou os EUA "muito menos" ou "menos" seguros. E 24% acreditam que o país ficou "muito mais" ou "mais" seguro. Isso vai de encontro ao argumento usado pelo governo.

Ressalte-se que o total dos que disseram que o país está muito menos seguro (28%) é mais que três vezes a quantidade dos que afirmam que os EUA estão muito mais seguros (9%) após o ataque. Segundo o jornal, quase um terço dos eleitores do partido Republicano, que usualmente apoiam Trump, acham que o país ficou menos seguro.

Para a maioria dos entrevistados, o ataque tornou mais provável que o Irã atinja os interesses americanos no Oriente Médio (69%), que haverá ataques terroristas em território norte-americano (63%) e que os EUA e o Irã entrarão em guerra (62%). Até agora, apenas o primeiro item ocorreu com o ataque a duas bases no Iraque que, segundo os EUA, não deixaram vítimas.

Por outro lado, a maioria (53%) concordou que matar Soleimani "mostrou ao Irã que os Estados Unidos não serão pressionados".

Uma quantidade maior de pessoas (47% contra 39%) viu motivação política no ataque, ou seja, que Trump ordenou a morte de Soleimani para desviar o foco do processo de impeachment que ele enfrenta. O equivalente à Câmara dos Deputados de lá, controlado pela oposição democrata, votou pela abertura de processo. Contudo, o Senado, nas mãos dos republicanos, deve barrá-lo.

Por fim, uma maioria (53% a 33%) endossa a proposta do Congresso de limitar a capacidade de Trump de ordenar ataques militares ou declarar guerra sem aprovação do Poder Legislativo. Os apoiadores eram 78% dos democratas, 26% dos republicanos e 54% dos eleitores independentes.

Leonardo Sakamoto