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Leonardo Sakamoto

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Morto por covid, Agnaldo Timóteo criou polêmicas como vereador em São Paulo

Reprodução/TV Globo
Imagem: Reprodução/TV Globo
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

03/04/2021 18h38

O cantor e político Agnaldo Timóteo faleceu, neste sábado (3), aos 84 anos, por complicações da covid-19. Ele estava internado desde o dia 17 de março. Carismático e querido como artista, Timóteo protagonizou polêmicas em seus mandatos como vereador em São Paulo.

No dia 27 de março de 2007, ele criticou na tribuna da Câmara Municipal uma proposta da então ministra do Turismo, Marta Suplicy, de combater o turismo sexual. Para ele, alguém que veio ao país atrás sexo de uma adolescente não podia ser considerado criminoso.

"Agora, assume a Marta Suplicy e a primeira proposta dela é para acabar com o tal do turismo sexual. Pelo amor de Deus minha gente, vai prender um turista porque ele levou pro motel uma menina de 16 anos? É brincadeira! As meninas com um popozão desse tamanho, os peitos como uma melancia e rodando bolsinha, aí o turista pega e passa a ripa. Tenha piedade", afirmou.

"O cara [turista] não sabe por que ela está lá. Ele não é criminoso, tem bom gosto", disse.

Acusado por colegas de relativizar a exploração sexual de adolescentes, ele pediu para que os comentários fossem excluídos dos registros da Câmara.

Mas provocou uma das vereadoras, perguntando quando tinha sido o seu primeiro relacionamento. Dias depois, com a polêmica instalada, negou que tivesse defendido o turismo sexual.

Já em 16 de agosto de 2012, Agnaldo Timóteo provocou nova polêmica ao defender o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que havia sido reconhecido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo como torturador durante a ditadura.

Durante uma reunião da Comissão da Verdade do município, criticou o trabalho de busca de ossadas em valas clandestinas de cemitérios: "é insuportável a maneira parcial com que todos que vão lá e falam do regime".

"Se acharam 1.000 corpos lá [no cemitério de Perus], e descobriram que um era vítima do regime, deveriam perguntar: era inocente ou um terrorista disposto a matar? Então, tem que estar disposto a morrer", completou.

Em abril daquele ano, ele já havia exaltado a ditadura e defendido os militares que mandaram "meter porrada" em opositores. "É uma lástima que os meios de comunicação não se disponham a contar as coisas maravilhosas que foram realizadas neste país pelo regime militar."

Pelo Rio de Janeiro, Timóteo foi deputado federal pelo PDT e pelo PPR e vereador pelo PPB. Depois, foi vereador pela capital paulista pelo PP e, depois, pelo PR - hoje PL.

Foi ligado a Leonel Brizola, depois a Paulo Maluf e, então, tornou-se admirador de Lula, a quem elogia desde que o petista assumiu a Presidência. Em 2017, demonstrou desejo de se filiar ao PT.