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Leonardo Sakamoto

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Brasil pode passar de 650 mil mortes em 1º de agosto, diz instituto nos EUA

Cemitério em Manaus, em foto de janeiro - Reuters
Cemitério em Manaus, em foto de janeiro Imagem: Reuters
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

10/04/2021 20h08

O Brasil pode chegar a 653,8 mil mortes no dia 1º de agosto no pior cenário projetado pelo Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação (IHME) da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

Isso se refere a uma situação em que os vacinados deixam de usar máscaras e voltam a adotar o mesmo nível de deslocamento que antes da covid - o imunizante te protege de desenvolver a doença, não de transmitir o coronavírus. O instituto publicou atualização das projeções na sexta (9).

O país atingiu, neste sábado (10), o total de 351.469 óbitos, dos quais 2.535 registrados nas últimas 24 horas, em meio a críticas do presidente Jair Bolsonaro contra a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, de ordenar a instalação da CPI da Pandemia no Senado, para avaliar as ações e omissões do governo federal.

No cenário mais provável, o Brasil deve chegar a 591,9 mil mortes no mesmo período. Isso se refere a uma situação em que as variantes conhecidas continuam a circular, mas o governo consegue aumentar a distribuição de vacinas em um prazo de 90 dias.

Os sistemáticos atrasos no cronograma de vacinação por parte do Ministério da Saúde, por falta de imunizantes, contudo, podem afetar essa projeção negativamente. Da mesma forma, quanto mais tempo o país vive uma situação de contágio intenso, maior é a probabilidade de gerar variantes mais transmissíveis e mais violentas.

Já em um cenário mais otimista, em que 95% da população adota o uso de máscaras em público, o número de mortes seria de 531,6 mil, segundo o IHME.

Essa hipótese, em que praticamente toda população abraçaria os cuidados sanitários, é difícil de acontecer, até porque o próprio presidente da República depõe contra. Neste sábado (10), Jair Bolsonaro pregou contra medidas de isolamento social no Distrito Federal. Novamente, ele não usava máscara.

De acordo com projeções do instituto, o ritmo de mortes deve continuar subindo até o dia 24 de abril, o que fará deste mês o mais letal de nossa história recente.

Para os Estados Unidos, a Universidade de Washington projeta 618,5 mil mortos em 1º de agosto, sendo 697,5 mil para o pior cenário e 604,4 mil para um cenário com uso universal de máscaras.

Se isso ocorrer, chegaremos naquele momento com uma diferença de apenas 26,6 mil mortes com os EUA, sendo que nossa população é estimada em cerca de 213 milhões e a deles, em quase 330 milhões.