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Leonardo Sakamoto

Campanha de Lula quer 'libertar' verde-amarelo 'sequestrado' por Bolsonaro

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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

07/05/2022 14h41

O evento de apresentação da pré-candidatura de Lula e Alckmin à Presidência e Vice-Presidência da República, neste sábado (7), abraçou o verde e amarelo. O petista fez seu discurso em frente a uma grande bandeira do Brasil enquanto, no telão, tremulavam as cores nacionais. A logomarca provisória com o lema "Vamos Juntos pelo Brasil" também utilizou uma bandeira estilizada. Esse padrão deve ser adotado ao longo da campanha.

Não que o vermelho estivesse banido, pelo contrário, estava presente em roupas e bandeiras dos militantes presentes no Expo Center Norte, em São Paulo, mas havia uma clara intenção de dar protagonismo ao verde-amarelo pela comunicação do evento.

A ideia, segundo membros da campanha ouvidos pela coluna, é demonstrar que o momento não é apenas a apresentação da pré-candidatura de Lula e Alckmin, mas representa um movimento cívico pela democracia. E, ao mesmo tempo, resgatar cores e símbolos que passaram a ser adotados extensivamente por uma parte da direta desde 2015.

"Bolsonaro não é o dono do verde-amarelo, mas o povo brasileiro. A campanha não esconde o vermelho, mas está libertando o verde e o amarelo, sequestrado desde o impeachment de Dilma e depois com Bolsonaro", afirmou um membro da campanha à coluna.

A coligação de Lula e Alckmin terá PT, PSB, PC do B, PV, Rede, PSOL e Solidariedade.

O ex-governador do Maranhão Flávio Dino (PSB) estava no palco do evento. Afirmou à coluna que esta eleição envolve disputas de programas, mas também de valores. "A bandeira da defesa da pátria sempre nos pertenceu, basta lembrar da campanha 'O Petróleo é Nosso'. Lula hoje destacou a soberania nacional como um eixo estruturante do nosso programa", afirma.

Soberania foi uma das palavras mais pronunciadas pelo ex-presidente Lula em seu discurso, que, na maior parte do tempo, seguiu um roteiro escrito. O tema é relevante para a esquerda, mas também para uma parte da direita, inclusive os militares.

Lula tratou não apenas da soberania relacionada à segurança nacional, mas também à defesa de riquezas minerais, florestas, rios, mares e biodiversidade.

"O verde e o amarelo têm uma importância simbólica imensa no imaginário do povo brasileiro. São cores que não pertencem a uma só candidatura. Natural e positivo que a campanha do Lula incorpore as cores da bandeira, entre outras que já fazem parte da tradição de esquerda", disse à coluna o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, que também estava próximo ao ex-presidente, junto com os líderes dos outros partidos

"Veste a bandeira do Brasil quem quer abrasileirar o preço da gasolina no país, quem quer garantir alimentação saudável e de qualidade para mais de 80 milhões que vivem em insegurança alimentar, quem não bate continência à bandeira dos Estados Unidos. Lula e Alckmin são verde e amarelo", afirmou o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), presente ao evento.

A referência à continência à bandeira dos EUA é uma provocação a Bolsonaro, que já fez isso em mais de uma ocasião.

No segundo turno das eleições de 2018, a campanha de Fernando Haddad (PT) também deu centralidade ao verde e ao amarelo em seu material de campanha. Bolsonaro, desde aquela época, insiste como um de seus motes de que "a nossa bandeira jamais será vermelha".