PUBLICIDADE
Topo

Leonardo Sakamoto

Bolsonaro diz que os brasileiros viviam melhor no tempo de Lula

Conteúdo exclusivo para assinantes
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

16/05/2022 18h06

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta segunda (16), concordar que, no governo do ex-presidente Lula, os brasileiros viviam melhor. A declaração foi dada a seus apoiadores na porta do Palácio do Alvorada.

Ele culpa as medidas de distanciamento social adotadas durante a pandemia de covid-19 para salvar vidas e a guerra na Ucrânia pela situação da economia sob seu governo ser pior que durante a gestão do petista.

"Falaram: 'no tempo dele [Lula], o povo vivia um pouco melhor do que hoje'. É lógico que vivia, concordo! Temos um pós-pandemia, do 'fique em casa', economia a gente vê depois, uma guerra, entre outros problemas", afirmou Bolsonaro.

O comentário ocorreu em um momento em que ele acusava a gestão dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff de corrupção. E afirmou que a vida poderia ter sido ainda melhor se não houvesse desvio de recursos públicos.

"Mas lá atrás, se se vivia melhor, poderia ter vivido muito, mas muito melhor ainda se não tivesse roubado tanto", afirmou.

Bolsonaro vem sofrendo o impacto da queda do poder de compra dos trabalhadores sobre a aprovação de seu governo e, portanto, de seus índices eleitorais.

Com a alta no preço do leite, da batata, do óleo de soja, do pão francês, da carne, do etanol, do diesel, o Brasil registrou a maior inflação para o mês de abril desde 1996, com o IPCA marcando 1,06%.

De acordo com o Dieese, o custo dos alimentos em abril cresceu nas 17 capitais avaliadas mensalmente pelo instituto. Com isso, o preço da cesta básica chegou a R$ 803,99 em São Paulo, R$ 788 em Florianópolis, R$ 780,86 em Porto Alegre e R$ 768,42 no Rio de Janeiro.

A última edição da pesquisa Genial/Quaest apontou que subiu de 51% para 59% os que avaliam que piorou a sua capacidade de pagar as contas nos últimos três meses. A margem de erro é de dois pontos.

Em novembro de 2021, 73% consideravam que a economia tinha piorado. Desde então, esse índice estava caindo até que estabilizou em 62%. Uma das razões para isso é que, enquanto 35% apontavam a economia como o maior problema do país em fevereiro, hoje já são 50% - um misto de arrefecimento da pandemia com a corrosão do poder de compra.

Os mais afetados são os pobres, que não contam com reservas e para quem a inflação traz fome. Lula se mantém com 56% de intenções de votos entre quem ganha até dois salários mínimos - Bolsonaro oscilou de 24% para 22% entre abril e maio nesse grupo. Já entre quem ganha mais de cinco salários por mês, Bolsonaro vence Lula por 43% a 36%.

A pesquisa aponta que a desaprovação ao governo Bolsonaro entre os que recebem o Auxílio Brasil de R$ 400 vinha caindo, mas também parou. Oscilou um ponto para cima, de 47% para 48% em um mês, dentro da margem de erro de dois pontos. Um dos motivos é que a inflação vem comendo o benefício.