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Leonardo Sakamoto

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Eleitor vê Lula 'preocupado com as pessoas' e Bolsonaro com 'pulso firme'

MARCOS CORREA/PR E RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
Imagem: MARCOS CORREA/PR E RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

03/06/2022 10h07

"Experiência" e "preocupação com as pessoas" são as duas principais características positivas de Lula, de acordo com pesquisa Ipespe divulgada nesta sexta (3). Já a de Bolsonaro é "pulso firme".

O instituto perguntou quais candidatos teriam as características de honestidade, preocupação com as pessoas, competência, inteligência, equilíbrio, pulso firme, ideias novas e modernas e experiência.

Lula fica à frente dos outros concorrentes em todas, exceto em "pulso firme", em que Jair aparece com 36%. Mesmo assim, o petista aparece tecnicamente empatado com ele, com 33%. A margem de erro da pesquisa é de 3,2 pontos.

Da mesma forma, Lula (35%) e Bolsonaro (30%) estão tecnicamente empatados no item "honestidade". Essa é a característica considerada muito importante por 81% dos eleitores. O terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), surge com 11% nesse item.

Lula foi preso em meio à operação Lava Jato, mas teve sua condenação anulada posteriormente pelo STF por desvios no processo. Bolsonaro é acusado de desviar recursos públicos dos gabinetes de sua família e seu governo está envolvido em escândalos na educação e saúde.

Para 45%, Lula se preocupa com as pessoas, número que cai a 24% para Bolsonaro

O ex-presidente tem seus melhores resultados em "experiência", com 46% a 29% frente a Bolsonaro, e "preocupação com as pessoas", no qual o petista atinge seu segundo melhor resultado, com 45%, enquanto o candidato do PL amarga o seu segundo pior, com 24%.

Pesquisa sobre o comportamento do eleitor de Lula e de Bolsonaro, conduzida pela professora Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo, identificou, entre os entrevistados, a força da memória de Lula como um governante que "cuidava de gente", enquanto o atual é visto como alguém que não se preocupa com as pessoas. Tanto que, nesse item, o ex-presidente abre 21 pontos de vantagem ao seu principal adversário.

A preocupação com as pessoas é avaliada como muito importante por 77% do eleitorado.

Em "competência", Lula é apontado por 43% como o candidato que mais tem essa característica, enquanto Bolsonaro é escolhido por 31%.

Ambos têm seus piores resultados em "ideias novas e modernas", com Lula marcando 30% e Bolsonaro, 20%, empatando tecnicamente com o ex-governador Ciro Gomes (PDT), que aparece com 18%.

A senadora Simone Tebet (MDB) tem seu melhor resultado em "equilíbrio", com 10%, empatada tecnicamente com Ciro, que tem 11%. Lula surge com 40% e Bolsonaro, 25%, nesse item.

Na pesquisa geral, Lula continua com 45% de intenções de voto, seguido por Bolsonaro, com os mesmos 34% do levantamento anterior. Desde setembro de 2021, o ex-presidente varia dentro da margem de erro. Já o presidente oscila dentro da margem de erro desde abril deste ano.

Ciro oscilou de 8% para 9%, Tebet manteve os 3%. André Janones (Avante) oscilou de 2% para 1% - mesmo patamar de Vera Lúcia (PSTU) e Pablo Marçal (Pros).