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Bolsonaro livra aliado da cadeia, mas ataca Petro por defender manifestante

Bolsonaro defendeu com unhas dentes o deputado Daniel Silveira                              - REPRODUçãO/FACEBOOK
Bolsonaro defendeu com unhas dentes o deputado Daniel Silveira Imagem: REPRODUçãO/FACEBOOK
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Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

21/06/2022 10h11

Há líderes que reduzem a inflação, erradicam a fome, promovem forte crescimento econômico, evitam mortes pela pandemia. Já a obra mais vistosa do presidente brasileiro, em 2022, foi livrar da cadeia o deputado federal Daniel "Surra de Gato Morto" Silveira (PTB-RJ), condenado pelo STF por ataques às instituições e à democracia.

Mesmo com esse histórico, Bolsonaro teve a cara de pau de criticar, nesta segunda (20), o presidente recém-eleito da Colômbia, Gustavo Petro, que pediu a libertação de jovens presos por participar de protestos em seu país.

"Quanta gente morreu, quanta gente está presa hoje, quantos jovens algemados, tratados como bandidos só porque tinham esperança, só porque tinham amor. Peço ao procurador-geral da nação que liberte a nossa juventude", disse.

Claro que isso não é feito à toa. A crítica tenta mostrar o brasileiro como um contraponto ao economista colombiano, à esquerda no espectro político. E, com a ajuda da velha e boa distorção bolsonarista, comparar a declaração do recém-eleito com outra de Lula, em que ele lamentava que jovens assaltem e sejam mortos por causa de celulares.

De melancia em melancia que pendura no pescoço, Bolsonaro vai mantendo a atenção de seus seguidores, que o veem em uma cruzada pela liberdade de expressão.

O mais pitoresco é que, se Bolsonaro se preocupasse de fato com a liberdade, teria que apoiar a defesa de Petro de que pessoas não sejam presas por defender um país melhor.

Bolsonaro também concedeu o indulto de Natal, o perdão de pena, em 2019, 2020 e 2021, apesar de dizer que não recorreria a esse instrumento usado em outros governos. Beneficiou policiais, militares e outros agentes de segurança pública, ou seja, sua base eleitoral. Ou, melhor: o grupo que ele acredita que irá às ruas caso ele perca a eleição.

O que reforça que, para Jair, a defesa da liberdade de expressão é apenas uma desculpa adotada para poder atacar outras instituições, como o Supremo Tribunal Federal ou o Tribunal Superior Eleitoral. E planejar um golpe de Estado à luz do dia, saindo ileso.