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REPORTAGEM

Campanha de Lula se reúne com petroleiros para discutir programa de governo

Alckmin e Lula, no lançamento das diretrizes do programa de governo, em São Paulo Imagem: RICARDO STUCKERT
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Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

28/06/2022 14h15

A comissão responsável pelo programa de governo de Lula à Presidência da República terá, nesta quinta (30), audiência com petroleiros para discutir a situação da Petrobras e coletar contribuições para o documento.

Com representantes do PT, PC do B, PV, PSB, PSOL, Solidariedade e Rede, a reunião ocorrerá na sede da Federação Única dos Petroleiros (FUP), no centro do Rio de Janeiro.

Essa é a primeira das reuniões itinerantes que estão sendo organizadas pela comissão formada por representantes da chapa Lula-Alckmin com o objetivo de receber propostas para o programa. A ideia é ir até a "casa" dos proponentes, nas cinco regiões do país.

Os sete partidos lançaram, na última terça (21), as diretrizes do programa de governo de Lula, abrindo o texto para receber sugestões de metas e ações a serem realizadas nos próximos quatro anos dentro de cada diretriz. De acordo com o PT, até agora, foram 5,5 mil propostas enviadas, que estão sendo analisadas pela comissão para produzir o texto final.

Itens como uma nova Reforma Trabalhista, que revogaria mudanças introduzidas durante o governo Michel Temer quanto ao trabalho intermitente, ao negociado sobre o legislado e sobre a manutenção dos sindicatos, por exemplo, estão gerando polêmica com parte do empresariado. Ao mesmo tempo, movimentos sociais cobram mais metas para efetivar direitos à terra, à moradia e à dignidade.

Após o encontro com os petroleiros, deverá ser a vez de representantes da comunidade científica, na sede de uma das entidades da área.

Lula e petroleiros defendem fim da paridade do preço do petróleo

Lula avisou que, se eleito, vai mudar a política de paridade do preço internacional do petróleo, adotada hoje pela Petrobras, que vincula as variações nas bombas ao preço do barril no exterior e à cotação do dólar. "Vamos abrasileirar o preço dos combustíveis", disse o líder petista, em 24 de março.

Em 8 de junho, Lula criticou Bolsonaro, em entrevista à rádio Itatiaia, afirmando que se ele "tivesse coragem, se não fosse um fanfarrão, um embusteiro, já teria feito isso".

Em entrevista à coluna, o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirmou que a federação representa 100 mil trabalhadores do setor de óleo e gás, e também defendeu uma mudança na política de preços.

Disse que a categoria está preparada para "a maior greve de sua história", caso o atual governo avance com a proposta de privatização da empresa, defendida por Bolsonaro e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Os que defendem a paridade lembram que o Brasil, apesar de ser grande produtor de petróleo, não tem capacidade de refino para a sua demanda, precisando importar combustível. Se a paridade cair, isso poderia levar a uma dificuldade de comprar os produtos de fora, gerando desabastecimento.

Do outro lado, os críticos afirmam que isso está gerando lucros que estão acima do que é pago em outras companhias similares, beneficiando o governo federal e demais acionistas. Lucros que poderiam ser usados em fundos para amortizar aumentos, evitar desabastecimento e terminar obras de refinarias em Pernambuco e no Rio para garantir a autossuficiência em diesel.

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