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Abaixo a Esquerda, menos a China

Maurício Ricardo

Maurício Ricardo é jornalista, cartunista e empresário no segmento da Educação. Formado em História, é um dos produtores pioneiros de conteúdo multimídia para a Internet brasileira. É criador do premiado site de animações Charges.com.br, lançado em fevereiro de 2000. Em 2019 migrou suas análises políticas, no formato vlog, para o canal de YouTube "Fala, M.R.". Lá, compartilha suas visões sobre política, cotidiano, música e tecnologia, que ganham também versões em texto nesta coluna.

Colunista do UOL

25/11/2019 21h19

"Nossa bandeira jamais será vermelha! O Brasil nunca será uma Cuba! Uma Venezuela! Uma Chin..." Ops. Tire a China desse discurso. Aos olhos do governo Bolsonaro, como o próprio presidente afirmou em visita ao país, a China não é comunista: "É capitalista, talquei?".

Como preferir, Capitão.

Não é fácil botar rótulo nisso que, justamente pela falta de nome melhor, é conhecido como "modelo chinês": O maior parceiro comercial do Brasil é uma potência tecnológica, uma potência comercial, tem o setor bancário mais rico do planeta e... campos de concentração.

Ou de reeducação, como eles preferem chamar. Prisões de segurança máxima projetadas e mantidas para, entre outros absurdos, converter minorias étnicas islâmicas do país em cidadãos compromissados com a ideologia... hã... chinesa. O que inclui comer carne de porco a força e livrar-se da barba ou turbantes.

Reconhecimento facial

As vítimas são identificadas pelo sistema de reconhecimento facial desenvolvido pela Huawei, empresa que está tentando emplacar o 5G no Brasil. Mas o lado futurístico da coisa termina aí: uma vez no campo, os presos só conseguem ser soltos quando provam, para quatro comitês do Partido Comunista, que mudaram seu comportamento, sua crença e sua língua (matéria completa aqui).

"Fake news!", grita o governo chinês. E o nosso finge que não vê. Porque comunista inimigo é comunista pobre.