PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

JP faz tributo a Olavo de Carvalho e evita aprofundar temas delicados

A morte de Olavo de Carvalho foi o principal assunto de todos os telejornais matinas da JP News - Reprodução
A morte de Olavo de Carvalho foi o principal assunto de todos os telejornais matinas da JP News Imagem: Reprodução
Conteúdo exclusivo para assinantes
Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

25/01/2022 13h24

Como seria fácil de prever, a Jovem Pan News ofereceu na manhã desta terça-feira (25) a cobertura mais extensa sobre a morte de Olavo de Carvalho. A notícia abriu todos os telejornais do canal, como Headline News, Morning Show e Jornal da Manhã. Alinhado com o governo Bolsonaro, a JP fez uma cobertura basicamente elogiosa, e mencionou apenas de passagem alguns aspectos mais delicados da trajetória do filósofo.

O canal informou que Carvalho havia contraído o coronavírus há uma semana, mas não lembrou as muitas declarações em que minimizou a pandemia. Também registrou que o filósofo manifestou sérias divergências com o presidente nos últimos tempos, mas sem se aprofundar no tema.

Nos diferentes programas, a JP exibiu análises de seus comentaristas ("tirou o brasileiro comum da letargia política", disse Cristina Graeml), discutiu o "legado" de Carvalho, trouxe entrevistas com seguidores, como o cineasta Josias Teófilo, e lembrou que foi "inspiração da direita".

A Record, igualmente alinhada com o governo, foi mais comedida e disse que Carvalho "ao longo da carreira foi apontado como um grande influenciador do presidente Jair Bolsonaro". E registrou que o mandatário classificou o filósofo, em nota de pesar, como "um dos maiores pensadores da história de nosso país". O "SBT News", na internet, classificou Carvalho como "o mentor do bolsonarismo", um epíteto que ele rejeitava.

Outros canais de notícias, como GloboNews, CNN Brasil e Band News, registraram a notícia com menos destaque, e trouxeram análises mais críticas sobre a ligação do filósofo com o governo Bolsonaro.