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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RedeTV! marca um gol com exibição do Super Bowl na TV aberta

Los Angeles Rams  foi campeão do Super Bowl com virada incrível sobre Cincinnati Bengals - Ronald Martinez/Getty Images
Los Angeles Rams foi campeão do Super Bowl com virada incrível sobre Cincinnati Bengals Imagem: Ronald Martinez/Getty Images
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

17/02/2022 07h01

Esta é parte da versão online da edição desta quarta-feira (09/02) da newsletter de Mauricio Stycer. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

Num início de ano sem maiores emoções na televisão, a exibição do Super Bowl por uma rede de TV aberta no Brasil foi uma ótima surpresa. A emocionante final da liga de futebol americano (NFL), com vitória do Los Angeles Rams sobre o Cincinnati Bengals por 23 a 20, foi ao ar não apenas na ESPN, como costuma ocorrer, mas também na RedeTV!.

O acordo da NFL com a RedeTV!, anunciado três semanas antes do jogo, indica o desejo da liga americana de expandir o interesse do esporte no Brasil. As condições deste acordo não foram reveladas, mas duas fontes da coluna asseguram que não houve pagamento de direitos por parte do canal brasileiro.

O acerto teria sido na base de "share revenue", ou seja, os lucros liquidos obtidos pela RedeTV! com a venda de publicidade seriam divididos com a NFL. Por razões contratuais, o canal brasileiro não pode comentar o assunto.

Conversei com Amilcare Dallevo Neto, chefe de Value Creation da RedeTV!. Ao falar sobre o Super Bowl, o executivo faz uma analogia com a aposta do canal em UFC na década passada. "Temos um histórico de construção de modalidade", diz.

Neto, como é conhecido, festeja o resultado da operação, sobretudo levantando em conta o curto espaço de tempo. O canal vendeu oito cotas publicitárias, para GM, Burger King, GSK (Eno e Sensodyne), Casas Bahia, JHSF, Vivo, Budweiser e HBO Max. A transmissão foi boa, informativa e preocupada na medida certa em ser didática para o espectador menos habituado ao esporte.

Nos Estados Unidos, dos 20 programas com maior audiência em 2021, 19 foram transmissões esportivas (sobretudo de futebol americano). O Super Bowl é, há anos, o programa mais visto no país. Já no Brasil, os números são bem modestos. Segundo dados consolidados do Ibope, no domingo (13), a ESPN marcou 1,5 ponto de média, enquanto a RedeTV! registrou 0,5.

Neste início de ano, a RedeTV! investiu numa outra modalidade promissora, os chamados esportes eletrônicos. O canal fez um acordo para exibir a sétima e a oitava etapa da Liga Brasileira de Free Fire.

O momento da RedeTV!

Lançada no final de 1999, após a aquisição das concessões da falida Manchete, a RedeTV! fez fama com uma programação voltada ao entretenimento popular. Sem maiores ambições e sofrendo cronicamente com a falta de anunciantes, o canal se estabeleceu no quinto lugar, atrás de Globo, Record, SBT e Band.

Nos últimos anos, a RedeTV! alugou praticamente metade de sua grade para terceiros, em especial para igrejas evangélicas. "Se eu não vender horário para igreja, quebro", disse o vice-presidente do canal, Marcelo de Carvalho, em março de 2017.

Em setembro do ano passado, a equipe que fazia o "Encrenca", programa de maior audiência e faturamento do canal, se mudou para a Band.

Agora em janeiro de 2022, como revelou O Globo, dados do Kantar Ibope mostraram que a emissora perdeu o quinto lugar para a TV Brasil, o canal público ligado ao governo federal. Com média de 0,28% ponto, a RedeTV! está perto do que os analistas chamam de "traço".

Com um jornalismo alinhado ao governo Bolsonaro, e com a presença de Carvalho no Twitter atacando a Globo e jornalistas com os quais discorda, a RedeTV! enfrenta possivelmente o seu momento mais delicado. Espero que a exibição do Superbowl neste domingo seja sinal de uma virada.

Pra lembrar

A Band conquistou os direitos de exibição do Mundial de Clubes da Fifa e se deu bem. A final entre Palmeiras e Chelsea garantiu à emissora a maior audiência em 22 anos, desde a final do torneio internacional entre Corinthians e Vasco, em 2000. A derrota do Palmeiras registrou média de 28,7 pontos. O jogo no ano 2000 marcou média de 36 pontos.

Pra esquecer

Cercado de enorme expectativa, o "BBB22" até o momento tem decepcionado. A audiência está 18% inferior à da edição passada. Buscando se preservar, os protagonistas mais famosos evitam brigas e não empolgam o público. Para piorar, uma participante, a atriz e cantora Maria, foi expulsa após agredir uma colega com um balde.

A frase

"Essa história é completamente verdadeira, exceto pelas partes que são totalmente inventadas".

O alerta aparece antes de cada episódio de "Inventando Anna", série da Netflix que recria a história real de uma jovem russa que se passou por milionária alemã em Nova York, enganando ricos e famosos entre 2013 e 2017, até ser presa.

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