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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Cobertura da guerra na Ucrânia também expõe preconceitos de jornalistas

O jornalista americano Charlie D´Agata, da rede CBS, fez um comentário preconceituoso e pediu desculpas  - Reprodução
O jornalista americano Charlie D´Agata, da rede CBS, fez um comentário preconceituoso e pediu desculpas Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

03/03/2022 14h41

Entre os milhares de vídeos expondo aspectos trágicos da guerra na Ucrânia, destacam-se alguns protagonizados por jornalistas e comentaristas estrangeiros. São falas que revelam preconceitos e até racismo em relação a diferentes povos e nações.

O comentário que mais viralizou, neste campo, foi feito por um experiente correspondente americano, Charlie D´Agata, da rede CBS. Falando de Kiev, nos primeiros dias da invasão da Rússia, ele disse:

"Este não é um lugar, com todo o respeito, como o Iraque ou o Afeganistão, que têm visto conflitos violentos há décadas. Esta é uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia, tenho que escolher as palavras cuidadosamente, uma cidade onde você não esperaria isso".

No dia seguinte, ao vivo, D´Agata pediu desculpas. "Falei de um jeito que me arrependo. Você não deve comparar guerras, nunca. Todas são únicas. Peço desculpas por qualquer ofensa que tenha causado".

Philippe Corbe, na BFM TV, o canal de notícias a cabo mais assistido da França, fez um comentário semelhante: "Não estamos falando aqui de sírios fugindo do bombardeio do regime sírio apoiado por Putin, estamos falando de europeus saindo em carros parecidos com os nossos para salvar suas vidas".

Já o apresentador inglês da Al Jazeera, Peter Dobbie, descreveu da seguinte forma os refugiados de guerra ucranianos: "O que chama atenção, só de olhar para eles, é o jeito que eles estão vestidos. São pessoas prósperas de classe média, não são obviamente refugiados tentando fugir de áreas do Oriente Médio que ainda estão em grande estado de guerra. Não são pessoas tentando fugir de áreas do norte da África. Eles se parecem com qualquer família europeia com a qual você moraria ao lado."

A Al Jazeera logo pediu desculpas, dizendo que o apresentador "fez comparações injustas entre ucranianos fugindo da guerra e refugiados da região do Oriente Médio". E pontuou: "Os comentários do apresentador foram insensíveis e irresponsáveis. Pedimos desculpas ao nosso público em todo o mundo e a quebra de profissionalismo está sendo averiguada".

O jornalista britânico Daniel Hannan foi outro que, impactado pelo choque de realidade de uma guerra na Europa, escreveu no "The Telegraph": "Eles parecem tanto com a gente. Isso é o que faz ser tão chocante. A Ucrânia é um país europeu. Sua população assiste Netflix e tem contas no Instagram, vota em eleições livres e lê jornais sem censura. A guerra não é mais uma coisa que atinge populações empobrecidas em locais remotos. Pode acontecer com qualquer um".

Abaixo, uma compilação de comentários preconceituosos: