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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bolsonaro provoca crise, diz JN; Band critica STF; Record fala em "bomba"

O presidente Jair Bolsonaro lê o decreto que concedeu indulto ao deputado Daniel Silveira  - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro lê o decreto que concedeu indulto ao deputado Daniel Silveira Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

21/04/2022 21h28

A concessão de um indulto presidencial ao deputado Daniel Silveira nesta quinta-feira (21) foi vista de maneiras muito diferentes pelos telejornais das principais emissoras de TV aberta do país. Um dia antes, o deputado foi condenado a 8 anos e nove meses de prisão pelo STF pelos crimes de coação no curso do processo e por incitar à tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes.

Na visão da Globo, como expresso na abertura do "Jornal Nacional", "o presidente Jair Bolsonaro provoca crise com o Supremo Tribunal Federal". O telejornal classificou o perdão "a um aliado" como "uma decisão polêmica". O telejornal ouviu depoimentos de juristas com críticas ao gesto do presidente ("um desvio de finalidade") e nenhum comentário de apoio.

Mais do que tratar do perdão, o "Jornal da Band" preferiu se debruçar sobre a condenação de Silveira, pelo STF, ocorrida um dia antes. Sob a vinheta "Julgamento do STF é questionado", o telejornal ouviu dois juristas que enxergaram erros e problemas na decisão da corte, em especial o papel do ministro Alexandre de Moraes, e não abriu espaço para nenhum contraponto.

Num comentário, o âncora do "Jornal da Band", Eduardo Oinegue, disse que o Brasil vive "um ambiente institucional tão instável". E observou que "os representantes máximos dos poderes da República não conseguem se entender sobre onde começa e onde termina o limite de cada um, dramatizado pelo fato de o Supremo ter tomado uma decisão essencial que afeta a vida do Congresso Nacional".

O "Jornal Nacional " e o "SBT Brasil" ouviram especialistas que consideram que a decisão sobre a cassação do mandato de Silveira cabe ao STF, e não à Câmara dos Deputados. O JN também ouviu um jurista com opinião contrária. O "Jornal da Band" ouviu apenas um cientista político que defendeu a primazia da Câmara neste caso.

O "Jornal da Record" observou que "a concessão do perdão caiu como uma bomba no mundo político". Segundo o telejornal, o decreto de Bolsonaro vinha sendo preparado há uma semana e alguns ministros que atuam no Palácio do Planalto não sabiam desta articulação.

Band e SBT também deram espaço para a repercussão do voto do ministro André Mendonça, a favor da condenação de Silveira, que causou irritação em círculos bolsonaristas.