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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Chico Pinheiro revela conversa com a Globo após vazamento de áudio pró-Lula

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

27/06/2022 12h00

Na ótima entrevista que deu ao UOL nesta segunda-feira (27), o jornalista Chico Pinheiro revelou detalhes inéditos do áudio que vazou em 2018, no qual ele comentava a prisão do ex-presidente Lula. A conversa ocorreu em um grupo fechado de funcionários da Globo (jornalistas e artistas) e causou uma repreensão ao então apresentador do "Bom Dia Brasil".

"Realizaram o fetiche. O fetiche deles era Lula na cadeia. Não foi feito do jeito que eles queriam, mas o Lula foi. E agora? O que vão fazer agora? Como é que fica? Qual é o próximo passo? Que o Lula tenha calma e sabedoria, inspiração divina para ficar quieto", disse o jornalista na gravação. "A direita está louca. Os coxinhas estão perdidos".

Durante o UOL Entrevista, conduzido por Fabíola Cidral e com participação de Josias de Souza e minha, Chico Pinheiro contou que a sua intenção era animar os participantes da conversa. "Quis dar um alento. O grupo estava choroso, tinha muita gente de esquerda". O jornalista cantou trechos de "Pesadelo", de Paulo Cesar Pinheiro, que diz: "Olha muro, olha a ponte / olha o dia de ontem, chegando / que medo você tem de nós / olha ai".

"Aí vazaram, um grupo passou para o outro. Achei um absurdo que uma coisa vaze", disse, reconhecendo que "houve uma dose de ingenuidade" da sua parte.

Após o vazamento, Chico aguardou algum tipo de reação da Globo. "Houve uma conversa com a direção porque isso provocou um barulho muito grande", contou. Segundo disse, ele foi para a conversa com o diretor de jornalismo, Ali Kamel, "esperando algum tipo de punição", mas o executivo se mostrou "solidário" com Chico. "Ele abriu a porta, estendeu a mão e disse: 'Fizeram com você uma baita sacanagem'. E acrescentou que fui ingênuo ao fazer o comentário num grupo de WhatsApp".

Pinheiro contou que Kamel pediu cuidado pois "você [Chico] não fala só por você, mas também pela emissora, então tem que tomar cuidado", contou. "E depois disso veio um alerta, uma recomendação para jornalistas não se manifestarem, mesmo nas redes sociais, politicamente, de maneira que pudesse comprometer a linha editorial e as posições da empresa. É a lei Chico Pinheiro. Virei nome de lei, mas não houve [punição], foi um tratamento muito respeitoso", completou.

Em maio, Chico Pinheiro deixou a Globo em comum acordo após 32 anos dedicados ao jornalismo do canal. Na entrevista ele conta que o seu contrato ia até setembro, mas tinha dois meses de férias e achou melhor antecipar a rescisão.

O apresentador fala, no UOL Entrevista, sobre a sua trajetória profissional, diz entender o processo de renovação na Globo que levou à sua saída e afirma que o grande concorrente da emissora hoje é o streaming.

Chico Pinheiro fala, ainda, sobre a forma como sites de celebridades e de fofocas divulgam fake news. Durante a pandemia, quando ficou em casa por ter mais de 60 anos, diferentes sites noticiaram que ele havia sido demitido da Globo. "Fui demitido mais de dez vezes".

Afirma, ainda, que nunca foi obrigado a falar nos telejornais da Globo algo que contrariasse os seus princípios. "É dentro da divergência que a gente vive". Chico afirma que nunca cogitou seguir uma carreira política e conta a história do dia em que Tancredo Neves tentou convencê-lo a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Por fim, Chico se diz engajado na campanha presidencial a favor de Lula. "Só por ignorância ou má fé alguém pode ter dúvida", diz. E afirma que gostaria de entender por que o apresentador José Luiz Datena vai apoiar Bolsonaro nas eleições.

Veja a íntegra da entrevista: