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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Globo esconde do público brasileiro sucesso de "Sob Pressão" no streaming

Parte do elenco da série "Sob Pressão", cuja quinta temporada está disponível no Globoplay - Divulgação
Parte do elenco da série "Sob Pressão", cuja quinta temporada está disponível no Globoplay Imagem: Divulgação
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

07/07/2022 04h00

Esta é parte da versão online da edição desta quarta (6) da newsletter do Mauricio Stycer. Na newsletter completa, apenas para assinantes, o colunista ainda faz sugestões de leitura da semana. Para receber o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

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A quinta temporada de "Sob Pressão", lançada exclusivamente no Globoplay, vem registrando audiência muito acima da média. Entre 2 e 20 de junho, o drama médico foi a segunda série mais assistida na plataforma, atrás apenas de outro drama do mesmo gênero, o americano "Grey's Anatomy".

Após quatro temporadas na TV aberta, "Sob Pressão" se tornou um produto Globoplay em 2022. Desde 2 de junho, a cada semana, dois novos episódios são oferecidos. Nesta quinta-feira (7) vão ao ar os últimos dois, totalizando 12 episódios.

Os excelentes dados de audiência no Globoplay, referentes aos primeiros seis episódios, foram divulgados exclusivamente no mercado externo, pela área de licenciamento internacional da Globo. No Brasil, a empresa guardou os resultados de "Sob Pressão" na gaveta.

Por quê? A Globo confirmou que os dados divulgados estão corretos, mas não respondeu ao meu questionamento. Tudo indica que a área internacional enxerga um potencial de vendas de "Sob Pressão", e está fazendo o seu trabalho de promoção. Mas por que não divulgar no Brasil? O Globoplay, assim como a Netflix e outras plataformas semelhantes, ainda lida mal com a difusão de dados de consumo de streaming.

"Esta temporada continua a se conectar com o público, abordando dramas pessoais e universais, especialmente em tempos de crise global de saúde. É um produto extremamente estratégico, com alto poder de atração e retenção de audiência", disse Angela Colla, chefe de licenciamento internacional da Globo.

No dia 6 de junho, repetindo uma estratégia que vem adotando, a empresa exibiu o primeiro episódio da nova temporada na TV aberta, após "Pantanal". Segundo o Kantar Ibope, registrou média de 17 pontos no PNT (Painel Nacional de Televisão), que reúne a audiência de dez centros urbanos no Brasil.

Independentemente dos motivos para esconder a audiência, a boa notícia é que "Sob Pressão" continua sendo vista, mesmo longe da TV aberta. Como fã declarado da série estrelada por Marjorie Estiano e Julio Andrade, espero que venham novas temporadas.

"Sob Pressão" é uma coprodução da Globo com a Conspiração, com direção de Andrucha Waddington e roteiro de Lucas Paraizo com Márcio Alemão, André Sirangelo, Flavio Araujo e Pedro Riguetti.

Pra esquecer

10 Mandamentos - Reprodução: Record TV - Reprodução: Record TV
Guilherme Winter viveu Moises em "Os Dez Mandamentos", novela da Record
Imagem: Reprodução: Record TV

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), sancionou nesta semana uma lei que declara as novelas bíblicas como patrimônio cultural imaterial no estado. Projeto neste sentido foi apresentado, em agosto de 2019, pelos deputados estaduais Tia Ju, Carlos Macedo, que é bispo da Igreja Universal, Danniel Librelon, pastor da Universal, e Rosenverg Reis.

Como escrevi na época, a proposta buscava agradar a Record, única produtora deste tipo de folhetim no Brasil. Tia Ju argumentou que a intenção era "reconhecer como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro aquilo que já é um patrimônio da humanidade: os exemplos das histórias bíblicas".

A ideia aprovada e agora sancionada busca dar um peso maior, institucional, às novelas bíblicas da Record, um projeto que tem um pé no entretenimento e outro no proselitismo religioso. Por esse motivo, para quem idealizou a homenagem, pouco importam as críticas de que este processo de registro pelo legislativo seja "superficial e irregular".

Pra lembrar

Bolsonaro - Anderson Riedel/PR - Anderson Riedel/PR
2.jun.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (PL) durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV
Imagem: Anderson Riedel/PR

Apesar dos ataques e ameaças à Globo, o governo Jair Bolsonaro (PL) aumentou em 75% o gasto com publicidade na emissora de janeiro a junho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2021. Um levantamento do UOL lembrou que o presidente, pré-candidato à reeleição, tem utilizado o espaço institucional na mídia para divulgar obras e programas realizados nos últimos quatro anos.

Nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Record e SBT receberam muito mais publicidade oficial do que a Globo, apesar de a audiência das duas emissoras, somadas, ser inferior à da líder. O gesto soou, por um lado, como prêmio ao apoio que as duas emissoras deram ao governo e, por outro, como represália a uma emissora que tratou Bolsonaro de forma crítica. Em diferentes momentos, o Tribunal de Contas da União criticou e alertou o governo sobre os seus gastos com publicidade.

Bolsonaro transformou, ainda na campanha eleitoral de 2018, o que seria uma questão administrativa em um tema político. Uma série de critérios técnicos deveriam pautar a distribuição de verba para publicidade oficial. O então candidato deu um tom de escândalo, a ser combatido, ao fato de a Globo receber mais do que as demais emissoras. Entre outras bravatas, ameaçou também não renovar a concessão dos canais da família Marinho.

A realidade eleitoral obrigou o governo a rever os seus investimentos em publicidade oficial e contemplar quem tem mais audiência.

A frase

glenda - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Glenda Koslowski, no Show do Esporte, na Band
Imagem: Reprodução / Internet

"Ficar olhando coisas de um ano atrás também, eu acho que trazendo à tona agora pode mudar às vezes o contexto das coisas"

Glenda Koslowski, na Band, tentando justificar falas de cunho racista e homofóbico ditas pelo ex-piloto Nelson Piquet. Ainda no mesmo dia, a apresentadora pediu desculpas pela passada de pano: "Fui muito mal". Fazer TV ao vivo pode ser complicado.

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