PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

TV aberta não morrerá antes de 2033. É o que indicam os direitos esportivos

Aaron Donald comemora sack decisivo que deu o título do Super Bowl ao Los Angeles Rams na final contra o Cincinnati Bengals - Rob Carr/Getty Images
Aaron Donald comemora sack decisivo que deu o título do Super Bowl ao Los Angeles Rams na final contra o Cincinnati Bengals Imagem: Rob Carr/Getty Images
só para assinantes
Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

28/07/2022 04h00Atualizada em 01/08/2022 10h39

Esta é parte da versão online da edição desta quarta (27) da newsletter do Mauricio Stycer. Na newsletter completa, apenas para assinantes, o colunista ainda faz sugestões de leitura da semana. Para receber o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

********

A popularidade dos serviços de streaming tem ajudado a reforçar uma velha tese sobre a falta de futuro da TV aberta. No Brasil, uma pesquisa mostrou que 65% dos adultos têm pelo menos um serviço de streaming, um índice acima da média global de 56%.

Um outro estudo recente indicou que, em 2021, o percentual de usuários de internet pagando por plataformas de vídeo foi de 43% e de 19% para áudio. As classes A e B registram maiores taxas de pagantes, 71% para filmes e séries e 41% para ouvir música.

Os jovens são os maiores consumidores de streaming, o que é um grande atrativo para o mercado publicitário. Eles lidam mais facilmente do que os adultos com a tecnologia e consomem com maior avidez as novidades. A chegada do 5G tende a facilitar ainda mais o consumo de dados pela internet.

Todos esses dados sugerem que a transição da TV aberta para a internet, já em movimento, é um caminho sem volta. A questão é: quando vai se completar a mudança? Aí é que está. Tudo indica que essa mudança vai ser mais lenta do que muitos previram.

Um motivo que salta aos olhos, e não apenas no Brasil, é a crise econômica e a desigualdade. A queda no número de assinantes da Netflix devida, em parte, ao preço da assinatura é um sinal evidente de que há limites para a expansão do streaming. Outro sinal foi a decisão da empresa de vender pacotes mais baratos, mas com inclusão de publicidade (quase uma TV aberta).

Mas os maiores sinais de vitalidade da TV aberta estão relacionados aos negócios de direitos esportivos, e não apenas no Brasil. Um recente acordo da NFL (a liga de futebol americano) com os canais de televisão nos Estados Unidos dá uma boa pista sobre a resistência da TV aberta. O acerto com as grandes redes CBS, FOX, NBC e ESPN começa em 2023 e vai até 2033. A NFL vai receber US$ 110 bilhões (cerca de R$ 550 bilhões) em receita ao longo de 11 temporadas. O negócio vale aproximadamente o dobro do contrato anterior.

A final do campeonato, o Super Bowl, será dividida entre as quatro grandes redes. A CBS exibirá o jogo de 2023, seguida pela FOX (2024), NBC (2025) e ESPN/ABC (2026). O rodízio se repetirá de 2027 a 2030, depois novamente com CBS, FOX e NBC entre 2031 a 2033.

O contrato é repleto de detalhes, incluindo acordos paralelos com a Amazon Prime Video. Mas o que importa é que as grandes redes continuam donas do filé-mignon. Ou seja, pelo menos até 2033, a principal fonte de audiência da televisão americana continua na mão das tradicionais empresas de televisão. Até lá, seguramente, a velha TV ainda estará entre nós. Nada se compara a uma transmissão ao vivo com qualidade.

Pra lembrar

Adriano - Divulgação - Divulgação
Adriano em gravação da série "Adriano, Imperador" na Vila Cruzeiro
Imagem: Divulgação

Estreou na plataforma Paramount + a série "Adriano, Imperador". Em apenas três episódios, a diretora Susanna Lira conta a história do craque nascido na Vila Cruzeiro, que foi cedo para a Europa e, um belo dia, abriu mão de um salário de milhões de euros para voltar ao Rio e ficar perto de seus familiares e amigos.

Assim como fez em "Casão - Num Jogo Sem Regras" (Globoplay), a diretora busca mostrar, com delicadeza, a complexidade das experiências vividas por Adriano. Muito abalado pela morte do pai e, sobretudo, por não ter conseguido chegar para o enterro, o "Imperador" enfrenta problemas de depressão e dependência química.

Um tema importante da série é o papel da imprensa sensacionalista, incapaz (ou desinteressada) de compreender o drama de Adriano e que explorou da pior forma possível os seus momentos mais difíceis.

Fiel aos amigos de infância, cercado por mãe, avó e tias, Adriano se expõe de maneira comovente na série. De quebra, como não poderia faltar, o espectador tem direito a usufruir de dezenas de gols e jogadas do craque que foi. É imperdível.

Pra esquecer

alavaro - Thais Carrança/BBC Brasil - Thais Carrança/BBC Brasil
O comerciante aposentado Álvaro Pereira vê no jornal onde vão passar os jogos do São Paulo
Imagem: Thais Carrança/BBC Brasil

Uma reportagem de Thais Carrança, da BBC Brasil, expôs uma consequência negativa da diversificação de negócios no campo das transmissões esportivas. Assistir a jogos de futebol pela TV tornou-se uma tarefa complicada.

Atualmente, além da Globo, também transmitem jogos dos times brasileiros Record, SBT, Band, SporTV, ESPN, Premiere, Conmebol TV, TNT Sports, Fox Sports, YouTube, Globoplay, HBO Max, Star+, DAZN, Amazon Prime, Facebook, Paramount+, além de serviços de streaming próprios dos clubes, como FlaTV+ e Furacão Play, do Flamengo e Athletico Paranaense, respectivamente.

Para os idosos, como mostra o texto, a dificuldade de lidar com a multiplicação de canais é grande. Mas não só. Torcedores de todas as idades têm reclamado nas redes sociais dos obstáculos para acompanhar os times de futebol brasileiros pela televisão.

Como mostra a reportagem, são três as razões para o fenômeno. 1. A mudança na estratégia comercial da Globo, que até anos atrás detinha a primazia da transmissão de jogos no Brasil. 2. A entrada de grandes empresas internacionais de streaming, como HBO, Disney e Amazon, na disputa pelos direitos de transmissão. 3. A sanção, em setembro de 2021, pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), da Lei do Mandante (Lei 14.205/21), que permite que o clube mandante negocie de forma independente seus direitos de transmissão.

A frase

Leo - REPRODUÇÃO/TV GLOBO - REPRODUÇÃO/TV GLOBO
Léo Batista e William Bonner; veterano voltou à bancada do Jornal Nacional e fez confissão
Imagem: REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Leo Batista: "Você não acha que enganei bem?".
William Bonner: "Se você enganou, enganou muito bem, muito, mas precisa saber enganar"

Apresentador e locutor, o grande Léo Batista completou 90 anos na semana passada e, numa visita ao estúdio do "Jornal Nacional", foi homenageado pelo apresentador William Bonner

LEIA MAIS NA NEWSLETTER