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Observatório das Eleições

Eleições municipais na Bahia: equilíbrio político ou terceira via?

 O Bruno Reis (DEM), eleito o novo prefeito de Salvador, durante coletiva no Wish Hotel da Bahia - TIAGO CALDAS/ESTADÃO CONTEÚDO
O Bruno Reis (DEM), eleito o novo prefeito de Salvador, durante coletiva no Wish Hotel da Bahia Imagem: TIAGO CALDAS/ESTADÃO CONTEÚDO
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O Observatório das Eleições 2020 tem como objetivo geral reunir um conjunto de dados empíricos, de natureza qualitativa e quantitativa, sobre o processo eleitoral municipal no Brasil. Aqui você encontra artigos, vídeos, infográficos e outros formatos de conteúdos com análises sobre as eleições de 2020, através de dados originais ou de sistematizações de dados públicos. Oferecemos subsídio acadêmico e explicação pedagógica aos diferentes atores políticos, sociedade civil, comunidade universitária e imprensa para o debate sobre as questões centrais envolvidas no processo eleitoral. Apresentamos de forma didática e comparativa as principais pesquisas e amostras, além de discutir as características gerais do eleitorado. Visamos também tornar acessível as legislações envolvidas em cada um dos assuntos que serão relevantes nas eleições de 2020. Nesse pleito, temos um contexto muito particular e multifacetado. Por isso, aqui você encontrará análises sobretudo dentro destes eixos: Opinião PúblicaGênero e RaçaJustiça e EleiçõesGrupos de interesseFake NewsCidadesGeral O Observatório das Eleições nasceu em 2018 como fruto da cooperação entre cientistas políticos e instituições de pesquisa de renome como UFMG, Unicamp, IESP/UERJ e UnB. É constituído pela reunião do conjunto de equipes de diferentes projetos, dentre eles participantes do INCT/IDDC (Instituto de Democracia e da Democratização da Comunicação), a equipe da Emenda Parlamentar nº 14080008, que se propôs a financiar parte das atividades do Observatório das Eleições, além de contar com o apoio da empresa Quaest Pesquisa e Consultoria.

23/11/2020 04h00

Cláudio André de Souza e Luciana Santana*

A política baiana apresenta um mapa eleitoral nos vinte maiores municípios da Bahia com uma clara polarização e divisão de forças entre a base aliada do governador Rui Costa (PT) e a oposição liderada pelo prefeito demista ACM Neto (DEM).

O PT conquistou Lauro de Freitas e disputará o segundo turno em Feira de Santana e Vitória da Conquista contra o MDB, que mantém na Bahia aliança com o Democratas, liderado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto.

O DEM conquistou Salvador, Teixeira de Freitas, Barreiras, Camaçari, Eunápolis e Guanambi, mostrando, portanto, muita força nas cidades com maior porte populacional. Apenas com o resultado do primeiro turno, é possível verificar que o DEM é o partido que irá governar a maior da população na Bahia (30,44%), seguido do PSD (17,52%), PP (14,19%) e o PT (14,19%).

A disputa entre DEM e PT ocorre paralela ao crescimento do PP e do PSD como forças de coalizão aliadas ao governador Rui Costa. Apesar disso, os partidos construíram algumas alianças nos municípios contra o PT. Isso fez com que adquirissem, nestas eleições, um tamanho político robusto e protagonismo suficiente para redesenhar um novo bloco político alternativo à polarização entre petistas e democratas.

O PP, liderado pelo vice-governador João Leão (pai do deputado federal Cacá Leão), e o PSD, liderado pelo senador Otto Alencar (pai do deputado federal Otto Alencar Filho), juntos conquistaram duzentas de 417 prefeituras. Nesta ferramenta do UOL de resultados das eleições é possível identificar a quantidade de prefeituras que os demais partidos obtiveram no primeiro turno.

Sem dúvida, as eleições ocupam uma centralidade na vida das pessoas, em especial, nos municípios médios e pequenos. As prefeituras têm sido o principal espaço institucionalizado de geração de oportunidades de trabalho e renda para a população. Apoiar publicamente com força e vigor uma candidatura pode ser um movimento decisivo para alcançar ganhos materiais e status político. Por isso, era esperado que, mesmo com a pandemia, as campanhas mantivessem mobilizações difíceis de conciliar com o isolamento social.

Na maior parte dos municípios baianos a pandemia foi a principal bandeira destas eleições com a população totalmente envolvida com as pautas relacionadas à saúde e emprego. Além do que, a crise sanitária "plasmou" para o ambiente eleitoral a perspectiva de valorização de políticos experientes com mandato e carreira política estabelecidas, deixando pouco espaço para outsiders defensores da "nova política".

A vitória de Bruno Reis em Salvador

Se o clima no interior do estado foi de muita disputa política e embates entre os candidatos, a eleição na capital foi bastante tranquila. A vitória de Bruno Reis (DEM) já era esperada. Todas as pesquisas de intenção de voto apontavam o favoritismo do candidato da situação, apoiado pelo prefeito e ex-deputado federal, ACM Neto (DEM).

Reis obteve 66,2% dos votos válidos. A candidata do PT, Major Denice teve 18,86%, Pastor Sargento Isidório (AVANTE), 5,33%, Cezar Leite (PRTB), 4,65%, Olívia (PC do B), 4,49%, Hilton Coelho (PSOL), 1,39%, Bacelar (PODE), 0,92%, Celsinho Cotrin (PROS), 0,13% e Rodrigo Pereira (PCO), 0,04%.

Em relação ao comparecimento eleitoral, 1.395.106 pessoas foram às urnas no dia 15 de novembro em Salvador. Deste total, 87,03% votaram em algum dos candidatos na disputa, 3,36% votaram em branco e 9,61% anularam o voto.

A abstenção eleitoral na capital aumentou em relação ao pleito de 2016, que registrou 21,25% do total de eleitores soteropolitanos. Na eleição deste ano, subiu para 26,46%.

Nova via para a sucessão ao governo estadual em 2022?

O resultado na capital fortalece o nome de ACM Neto, que também é presidente nacional do DEM, para a disputa à sucessão do governo baiano em 2022. Mas é importante também voltar às atenções para outras movimentações no cenário político, bem como para a força de outras siglas partidárias.

Diante de um equilíbrio político multipolarizado, a depender das estratégias em jogo para 2022 e dos fatores nacionais envolvendo a montagem dos palanques para a disputa presidencial, PP e PSD terão grandes chances de definir o próximo vencedor nas eleições ao governo, marchando juntos ou separados. Será que estão dispostos a construir uma terceira via à polarização histórica DEM x PT? Vamos acompanhar.

* Cláudio André de Souza é professor adjunto de ciência política Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Campus dos Malês (BA).
Luciana Santana é mestre e doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais, com estância sanduíche na Universidade de Salamanca. É professora adjunta na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), líder do grupo de pesquisa: Instituições, Comportamento político e Democracia, e atualmente ocupa a vice-diretoria da regional Nordeste da ABCP.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.