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Olga Curado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Silêncio de Arthur Lira fala mais alto que discurso golpista de Bolsonaro

Bolsonaro discursa em SP - Reproduçãop
Bolsonaro discursa em SP Imagem: Reproduçãop
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Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

07/09/2021 17h49Atualizada em 07/09/2021 17h49

O capitão falou pouco mais de dez minutos de um caminhão na avenida Paulista, em São Paulo, na sua campanha pela reeleição, financiada com recursos públicos. Só aceita a vitória.

Deixou claro para o Arthur Lira que continua na sua saga de desqualificação do sistema eleitoral brasileiro. A derrota da proposta de voto impresso volta ao topo da sua fala. Prometeu ao presidente da Câmara que tiraria o assunto da sua pauta, caso a proposta do voto impresso fosse derrotada, mas não consegue. Não tem repertório de resultados para apresentar à população. Fica na vitimização calculada. Antecipa de maneira clara a derrota nas urnas, mas já deixa evidente que não aceita qualquer resultado.

Faz ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, que irá presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ano que vem. É o alvo visível da incompetência, que será confirmada pelo voto na urna eletrônica, auditável, em 2022.

Usa o cargo, o cartão corporativo, o aparato da segurança institucional para se promover e garantir que os seus filhos fiquem protegidos das investigações, em que a corrupção tem o nome de "rachadinha".

Alguém precisa tirar o dedo do Lira do botão amarelo.

A conversa manjada, insistente, golpista, desrespeitosa do capitão não pode ser normalizada.

Cadê o Arthur Lira?

Onde estão os políticos eleitos para falar em nome do povo, quando esse mesmo povo é constrangido a ser identificado com uma massa de manobra financiada por monetização de redes de mentiras e por empresários saudosistas dos tempos do pau-de-arara?

Cadê o Arthur Lira?

O povo não foi para as ruas. O povo ficou em casa. Mas tinha gente na rua. O coro dele, sustentando a sua intenção de golpear a democracia.

Há que se reconhecer. Pessoas se mobilizaram para ovacionar o capitão na avenida Paulista. Aplaudem o discurso do ódio, da exclusão, da tortura, do descaso, da ausência total e absoluta da empatia e marcham como insensatos, como uma tropa de choque de uma realidade imaginária. Mas são minoria. Posaram para foto de campanha do capitão, mas são minoria.

O Congresso fala pela maioria.

Cadê o Arthur Lira?

Alguém conte os milhares, os milhões de brasileiros e brasileiras, perplexos com a ignomínia de um Presidente da República omisso, incompetente, e, sinceramente, de uma burrice atordoante, porém, como todo idiota, renitente.

As milhões de pessoas que não foram gritar pelo fim da democracia somos nós, o povo. O povo que não vestiu o verde e amarelo, cores expropriadas da bandeira de todos nós para se tornar símbolo de fascismo tupiniquim.

O povo somos nós, envergonhados com as cenas de valas comuns em que foram sepultados nossos mortos, numa evitável crise humanitária. Mais de 580 mil mortos. Não podemos nos esquecer disso.

O povo somos nós. Os quase 15 milhões de desempregados.

O povo somos nós, na fila do osso.

Cadê o Arthur Lira?

Cadê o Arthur Lira?

Canalhas não vão tirá-lo do poder, capitão. O povo vai. Mas, e o Arthur Lira?

Chegou o dia depois de hoje.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL