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Olga Curado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro dá perdão a Daniel Silveira, a quem se iguala

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Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

21/04/2022 20h08Atualizada em 22/04/2022 10h40

O ex-capitão desafia o STF (Supremo Tribunal Federal), ao anunciar, independentemente de a Corte julgar o deputado marombado, que o amigo está livre de qualquer condenação. E mostra a sua identidade.

Absolve gestos que atacam a democracia. Crimes hediondos. Contra o Estado democrático de Direito. Crimes que o ex-capitão não reconhece.

O ex-capitão desafia a democracia. Quer neutralizar os efeitos das decisões do Judiciário.

Francamente apoiador do Daniel Silveira, o sujeito que poderia estar na cadeia por atos tipificados na legislação penal, o ex-capitão atropela e pretende demonstrar aos seus apoiadores que o que a Justiça decide ou possa decidir não tem importância. Tenta reproduzir uma fala que a história registra como uma ambição absolutista, em que se coloca acima não apenas das instituições, mas de todo o processo legal.

No esforço eleitoral, o ex-capitão achou mais um símbolo para a sua campanha. O tal marombado, que é a personificação da brutalidade com que os argumentos são banidos do debate público, em nome da zombaria, do aviltamento e do desrespeito às instituições. É um teste de força que o ex-capitão pretende reproduzir, da mesma maneira que, em setembro do ano passado, estimulou o desfile vergonhoso de enfumaçados blindados pela Praça dos Três Poderes.

O ex-capitão usa o cargo atual - ao qual se aferra - para aumentar a cortina de fumaça com a qual pretende esconder não apenas a melancólica lembrança do desfile de 7 de setembro, mas açular a milícia digital para que se mantenha ativo na posição de agitador mor contra a democracia brasileira. Assim, o "seu exército" poderá seguir tumultuando e acossando todos os que se levantam contra as aberrações do desgoverno.

Está definido com quem se alinha o ex-capitão. Se junta àquele que ri da Justiça.

O Congresso Nacional precisa sair da indolência oportunista alimentada pelo acesso a descomunais verbas públicas, na forma de bilhões em dinheiro público escondido em emendas obscuras de um orçamento secreto.

A decisão da Justiça ainda não se concluiu. Mas o ex-capitão foi arrebatado pelo furor próprio daqueles que desejam proteger as próprias crias.

Arthur Lira tentou trazer para si o poder de evitar a punição do marombado ex-deputado Silveira, fazendo o gesto de invocar para o plenário da Câmara a decisão de cassação do mandato. O ex-capitão foi mais rápido. Precisava criar algum fato para provocar mais confusão. É parte da cartilha do desgoverno.

Tempos sombrios. Quando o ex-capitão tem a caneta para provocar uma edição extra do Diário Oficial, contemplando um apaniguado seu, um seu igual, resguardando-o de qualquer pena por qualquer crime.

O que deseja agora o ex-capitão está claro. E nesse momento obtém: a confusão e a dúvida sobre a legitimidade da própria Justiça. A abolição violenta do estado de Direito é o objetivo de Silveira, o que, agora, é endossado pelo ex-capitão.