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Olga Curado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro define mascote da campanha eleitoral símbolo das cavernas

Jair Bolsonaro e Daniel Silveira - Reprodução/Twitter
Jair Bolsonaro e Daniel Silveira Imagem: Reprodução/Twitter
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Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

28/04/2022 16h43Atualizada em 28/04/2022 16h43

O desgoverno do ex-capitão inaugura com holofotes a gestão pelo trogloditismo. É a palavra mais próxima do que pode descrever a retórica e gestos que imprimem a vergonha transnacional imposta ao Brasil.

O desgoverno do ex-capitão recupera o modus vivendi do tempo das cavernas. A espécie humana então se movimentava exclusivamente pelo primitivismo da violência e ainda não possuía habilidades da linguagem; tampouco possuía o desenvolvimento cerebral que lhe permitisse analisar as circunstâncias e fazer escolhas que não fossem unicamente voltadas à própria sobrevivência. A vida difícil exigia a resposta rápida e bruta.

O surgimento da inteligência foi o que garantiu a sobrevivência da espécie, conquistada em milhares de anos de evolução, condenando ao passado remoto da humanidade, o tipo que o ex-capitão luta por despertar. Como na volta dos dinossauros, no parque de Steven Spielberg. A célula congelada é aquecida e traz de volta a brutalidade da espécie desaparecida em cataclisma meteorológico. Assim, no laboratório do desgoverno opera o ex-capitão, como aprendiz de feiticeiro, tentando acordar o que temos de mais atrasado na evolução da espécie humana: o trogloditismo dos nossos ancestrais.

A mascote da campanha eleitoral do ex-capitão tem nome e endereço. O deputado Daniel Silveira, que é usado como fantoche do discurso antidemocrático para açoitar e provocar as instituições, é a demonstração inequívoca da vontade de estabelecer um grande Parque dos Dinossauros.

O Supremo Tribunal Federal, desafiado na consistência dos seus julgamentos, fica diante da enxurrada de desinformação e de interpretações da Constituição brasileira, por porta-vozes de ocasião, que fazem contorcionismo na lógica do espírito da lei, para justificar - pasme! - a retomada do país pelos quartéis.

Está tudo explicado na rede dos mensageiros do caos que catequiza legiões de ignorantes. E usam uma lógica própria dos discursos obscuros, que não revelam fatos, informações, mas que pré-produzem raciocínios cuja base não tem qualquer vínculo com a realidade. São acusações de excessos, são indignações pela Justiça agir no seu foro.

São as repetidas interjeições e imprecações contra o sistema eleitoral brasileiro. Tudo isso para o que? Para reavivar aquela célula congelada dos dinossauros. E confinar o país aos desejos de um grupo pequeno e malicioso, que não quer contar como gasta o dinheiro público, como contrata funcionários fantasmas em gabinetes, como nega vacina à população, na maior crise sanitária da História, como tem intimidade com pastores que cobram quilos de ouro para destinar a acólitos dinheiro da Educação. Somando-se mais mérito: de promover a maior destruição de florestas do planeta!

E tem mais: capacidade de criar factoides para distrair a opinião pública e transformar a mascote do seu desgoverno em tema crucial. Quando não tem respostas para os problemas, cria um problema, fustiga as instituições e brada com raiva para fazer com os seus iguais babem de ódio e criem um ambiente em que esse mesmo ódio se transforme em violência, que essa violência municie discursos que gerem mais ódio e mais violência.

É dessa matéria-prima que se constrói o Parque dos Dinossauros. Com mascote para distrair a população e a ajuda de uns tantos outros que se beneficiam dos bilhões em fundos eleitorais e em orçamento secreto, sem que seja preciso dar satisfação a ninguém.

Mas não responde: como a população deve sobreviver sem emprego e salário para enfrentar a maior inflação dos últimos 27 anos?

O ex-capitão não desiste. Saudoso do tempo das cavernas, de quando a espécie humana não havia chegado à condição de fazer escolhas e evoluir rumo a horizontes em que a violência, a tirania e a obtusidade pertençam ao passado.

O voto será a resposta. E o direito de espernear está garantido também.