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Olga Curado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro tenta privatizar a Amazônia e ameaça a soberania nacional

Bolsonaro ao lado do bilionário Elon Musk  - Reprodução
Bolsonaro ao lado do bilionário Elon Musk Imagem: Reprodução
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Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

20/05/2022 13h47Atualizada em 20/05/2022 13h47

Teve um convescote hoje do ex-capitão com um homem muito rico - Elon Musk. E a fiança para entendimentos entre os dois é a Amazônia.

A sabujice e deslumbramento do ex-capitão chega a patamares em que a autossuperação parece impossível. O ex-capitão precisa de um ídolo, um símbolo, alguém que ele ache o "máximo" ou porque tem dinheiro ou porque tem poder. Tudo o que ele ambiciona.

Sem fazer desse espaço um divã, está claro que o ex-capitão carece de uma figura paterna, alguém que lhe diga o que fazer e, se essa pessoa tiver muito, mas muito dinheiro, lhe parece confiável e desejável. Tentou o Trump. Agora, trazer Musk para o Brasil para conversar sobre Amazônia e conectividade! É muita carência e falta de respeito com o próprio cargo.

É uma instituição, a Presidência da República, fazendo negócio com um trilhardário que ganhou dinheiro e quer continuar ganhando sem se comprometer com qualquer ideologia que não seja o lucro. Nada contra ganhar dinheiro, ter lucro, prosperar. Afinal, é uma ambição legítima. Mas, botando a mão em informações que são da nação? Para fazer o que com essas informações? A quem serve? A que negócio?

Às custas da Amazônia?

Recursos que são tirados da ciência, das universidades e da pesquisa nacionais - sem xenofobia, mas com respeito à importância estratégica de termos cérebros que pensam soluções comprometidas com o país e que demonstram diariamente tal competência. Inclusive, sr. Fábio Faria, competência para monitorar o desmatamento da Amazônia e desenvolver "conectividade"... seja lá o que queira dizer com isso.

Chega a ser uma caricatura o ex-capitão se rendendo aos milhões do quase-dono-em ensaio do Twitter, um dos mais capilares recursos tecnológicos do mundo. Um megafone que dissemina informações, e infelizmente desinformação, como se fosse legítimo, em nome da compreensão, distorcida ou de desentendimento deliberado, do que é liberdade de expressão.

Qualquer coisa que saia do encontro entre o ex-capitão com o empresário ambicioso não preserva a soberania nacional. Não se pode proibir quem quer que seja de falar com quem quer que seja; todavia, a falta de transparência - não estava na agenda do ex-capitão o tal encontro.

Numa agenda republicana, o empresário estaria em Brasília, recebido no Palácio do Planalto, para uma agenda conhecida e não "vazada".

Mas, como se sabe, em sociedade tudo vaza, e vaza no ar um cheiro estranho de um negocismo em que o país é a garantia.

Quando se aproxima a data do pleito em que o ex-capitão deverá ser defenestrado do desgoverno, movimentos no mínimo estranhos, fumaçaria para entorpecer deslumbrados da sua claque, desfocando a verdadeira agenda nacional, precisam ser muito bem explicados.

O ex-capitão não tem freios. Não tem entendimento - por conveniência e por limite cognitivo - da sua função como chefe de Estado. Diminui o país, aos olhos da comunidade internacional, e desacredita a capacidade de o povo brasileiro responder com altivez às suas macabras ameaças.

Agora quer oferecer o Brasil - as informações sobre a Amazônia - para um negócio de "monitoramento da Amazônia"? Ora, quando o delegado da PF investiu para impedir o contrabando de madeira nativa, na maior apreensão da história, fruto de desmatamento ilegal, o que aconteceu? Foi removido do cargo.

Quando o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e ICMBio informavam, de maneira inequívoca e cristalina, a ação predatória na Amazônia, o que aconteceu? Foram desacreditados pelo desgoverno do ex-capitão e enfraquecidos, cortados recursos humanos e materiais. E o que mais? O desgoverno do capitão correu para incentivar garimpeiros a navegarem os rios amazônicos, jogando mercúrio em busca de ouro, matando espécies e destruindo a floresta.

Ora, vamos e convenhamos. Uma conversinha num hotel de luxo às custas do erário público - aliás - talvez, quem sabe, dentro de gastos secretos, como o orçamento do Lira para continuar na presidência da Câmara dos Deputados e o cartão corporativo que tem gastos, pagos por você que lê, por mim, que escrevo, e por quem não tem a menor ideia, de R$ 4 milhões num mês! Tudo secretamente.

O ex-capitão, em busca de alguém que lhe dê importância, corre atrás da máquina de fazer dinheiro e oferece a nossa Amazônia. Vai fazer terapia!