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Plínio Fraga


Turma de Queiroz mente ou ele tinha o banco informal mais generoso do mundo

Fabrício Queiroz foi por 11 anos fiel escudeiro de Flávio Bolsonaro (dir.) - Reprodução
Fabrício Queiroz foi por 11 anos fiel escudeiro de Flávio Bolsonaro (dir.) Imagem: Reprodução
Plínio Fraga

Plínio Fraga é jornalista desde 1989. Foi editor-chefe da revista Época, editor de política da Folha e do Jornal do Brasil e repórter da revista Piauí e de O Globo. Lançou em 2017 a biografia "Tancredo Neves, o príncipe civil" (editora Objetiva). É doutorando Mídia e Mediações Socioculturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coluna se propõe a olhar com lupa o ir-e-vir e os desvãos da política. Análises, perfis e reportagens sobre eleições, governos, congresso, assembleias, marketing político, pesquisas eleitorais, as redes sociais como nova praça pública, debates de ideias e políticas públicas, como segurança, redução da desigualdade e crescimento econômico

Colunista do UOL

19/12/2019 14h05

A fiar-se nas narrativas dos companheiros de trabalho, o ex-policial militar Fabrício Queiroz, assessor parlamentar de Flavio Bolsonaro entre 2007 e 2018, operava um banco informal generoso e disposto a pagar as melhores taxas no mundo na remuneração de dinheiro dos parceiros.

Toma-se como exemplo o depoimento ao Ministério Público do subtenente da Polícia Militar do Rio de Janeiro Agostinho Moraes da Silva, lotado como assessor de Flavio Bolsonaro com salário de R$ 6 mil. Ele contou como funcionava o "banco" Queiroz.

Para justificar as transferências bancárias que fizera para seu superior direto, Moraes da Silva disse que a cada mês "investia" R$ 4 mil em "atividade empresarial" de Queiroz. Apenas trinta dias depois do "investimento", o chefe devolvia, em dinheiro vivo, algo entre R$ 4,5 mil e R$ 4,7 mil. A rentabilidade do "investimento" variava então entre 12,5% e 17,5% ao mês.

Os fundos cambais foram os melhores investimentos do mercado financeiro em 2018. Pagavam então 20,16% ao ano. Ou seja, Queiroz remunerava em dois meses mais do que o mais agressivo investimento do mercado pagava em um ano. O rolo principal de Queiroz era comprar e revender carros usados.

O subtenente Agostinho Moraes da Silva admitiu ao Ministério Público fluminense que depositava todos os meses cerca de dois terços de seu salário na conta de Queiroz. E depois recebia de volta em espécie mais do que transferira, afirmou sem apresentar nenhuma comprovação. Assumiu que não declarou no Imposto de Renda ganhos na atividade empresarial com Queiroz, companheiro de trabalho na Assembleia Legislativa por 11 anos.

A justificativa de Moraes da Silva é tão inverossímil que dá para entender por que o ex-assessor de Flavio Bolsonaro resumiu o imbróglio em que está metido de forma tão grosseira: "O MP está com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente", disse Queiroz num áudio de WhatsApp.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Plínio Fraga