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Francisco assegurou maioria para a escolha de sucessor, aponta estudo

Papa Francisco transmite sua mensagem de Natal: em sete anos igreja mudou - YARA NARDI
Papa Francisco transmite sua mensagem de Natal: em sete anos igreja mudou Imagem: YARA NARDI
Plínio Fraga

Plínio Fraga é jornalista desde 1989. Foi editor-chefe da revista Época, editor de política da Folha e do Jornal do Brasil e repórter da revista Piauí e de O Globo. Lançou em 2017 a biografia "Tancredo Neves, o príncipe civil" (editora Objetiva). É doutorando Mídia e Mediações Socioculturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. A coluna se propõe a olhar com lupa o ir-e-vir e os desvãos da política. Análises, perfis e reportagens sobre eleições, governos, congresso, assembleias, marketing político, pesquisas eleitorais, as redes sociais como nova praça pública, debates de ideias e políticas públicas, como segurança, redução da desigualdade e crescimento econômico

Colunista do UOL

30/12/2019 00h01

O papa Francisco, próximo de completar sete anos no comando do Vaticano, já alterou o perfil dos cardeais que elegerão seu sucessor. Estabeleceu uma maioria das correntes progressistas da igreja, com maior representatividade de países fora do eixo europeu. Foi ainda o papa que mais reconheceu santos, o que empenhou as mais profundas reformas na estrutura da igreja e o que mais puniu clérigos acusados de abusos. Aos 83 anos completados neste mês, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, tornado papa Francisco em conclave de 2013, reestruturou o Vaticano de modo a ser peça fundamental na escolha do seu sucessor.

Estudo do teólogo Fernando Altemeyer, da PUC-SP, mostra que hoje há 125 cardeais eleitores de eventual novo consistório: 16 foram indicados pelo papa João Paulo II (papado entre 1978 e 2005), 42 são obra de Bento XVI (2005-2013) e 67 do próprio papa Francisco. Fazendo as contas os cardeais nomeados por ele e que seguramente seguem sua linha são maioria (67 contra 58).

Leitores da coluna em que comentava o filme "Dois Papas", de Fernando Meirelles (https://bit.ly/2MEGWGy), questionaram o grau real de mudanças na Igreja Católica. Elas estão acontecendo, em velocidade perceptível. A influência de Francisco também inspira mudanças no episcopado brasileiro. Dos atuais 481 bispos vivos no Brasil, 310 estão na ativa e 171 são eméritos. O papa Francisco já indicou 106 bispos para a Igreja do Brasil, um pouco mais de 1/3 dos bispos na ativa.

Para dimensionar a igreja católica no mundo, o estudo de Altemeyer aponta que há quase 5.500 bispos no mundo, tendo batizado 1,3 bilhão de pessoas por ano. As instituições católicas dão aulas para quase 70 milhões de alunos em todo o mundo.

Outra característica de Francisco foi de se ter tornado o papa moderno que mais reconheceu santos _898 contra 482 de João Paulo II e de 45 de Bento XVI. Há processos que postulam a canonização de diversas personalidades ligadas ao clero progressista brasileiro: dom Helder Câmara, o operário Santo Dias da Silva, o frade domenicano Tito de Alencar, a irmã Dorothy Mae Stang e até o indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos. São nomes que dificilmente teriam chances de ser canonizados nos papados anteriores ao de Francisco.

Não dá para limitar a análise das mudanças da igreja a temas dogmáticos como a discussão aborto x direito à vida, Uma das instituições mais fortes e influentes do mundo, a Igreja Católica é uma estrutura de poder que se move. Lentamente, mas se move.

ERRATA: Versão anterior deste texto, chamava o diretor Fernando Meirelles de Francisco. O erro já foi corrigido

Plínio Fraga