Raquel Landim

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Opinião

Cotado para presidir o BC de Lula, Galípolo vota com Campos Neto

Cotado para presidir o Banco Central a partir de dezembro, o economista Gabriel Galípolo, diretor de política monetária, acompanhou Roberto Campos Neto e votou pela manutenção da taxa básica de juros em 10,5%.

Não só ele - é bom que se diga. Ao contrário da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em que um placar dividido entre diretores indicados por Lula e por Bolsonaro deixou o mercado preocupado com os rumos da política monetária, dessa vez a decisão foi unânime.

O voto de Galípolo não surpreende quem acompanha os fundamentos técnicos. Diante da deterioração da política fiscal, do cenário externo e das expectativas de inflação mais alta nos próximos meses, economistas e consultores já esperavam uma pausa na queda de juros. Mas chama a atenção, claro, de quem faz cálculo político.

Em entrevista à CBN na segunda-feira, Lula havia dito que Campos Neto "trabalhava para prejudicar o Brasil" junto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O presidente afirmou ainda que Campos Neto não demonstrava "nenhuma autonomia", que "não havia explicação para a taxa de juros do jeito que está" e que "a inflação está totalmente controlada".

Após o voto de Galípolo e dos demais diretores indicados pelo próprio Lula, fica a dúvida: eles também trabalham para prejudicar o Brasil?.

Pelo contrário. Com uma decisão unânime de manutenção da taxa de juros, o dólar, que chegou perto de R$ 5,48 nesta quarta-feira (19), deve recuar amanhã. Os juros futuros também devem cair. Se tudo der certo e as expectativas acalmarem, operadores ouvidos pela coluna já falam até fala em retomada da queda dos juros lá na frente. Na prática, o BC ajudou o governo.

O que deixa duas hipóteses na cabeça do mercado. Ou Lula fez um discurso político ontem, mas nos bastidores concordou com a resposta técnica dos seus indicados hoje. Ou Galípolo desobedeceu a sinalização do presidente e preferiu garantir sua credibilidade, mas colocou em risco a chance de se tornar o novo comandante do BC.

A reação do governo ao resultado do Copom e, principalmente, a escolha do novo presidente do BC vai trazer a resposta. De qualquer forma, pelo menos foi um aceno de que o Banco Central do terceiro governo Lula pode não ser o mesmo do governo Dilma, que baixava os juros na marra. E isso por si só é um alívio.

Errata:

o conteúdo foi alterado

  • Uma versão anterior deste texto informava incorretamente que o dólar se aproximou de R$ 4,48 nesta quarta-feira (19). Na verdade, chegou perto de R$ 5,48. A informação foi corrigida.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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