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Eduardo, pelo visto, aprecia a "suvaca" da macharia. De mulher? Nem pensar!

Eduardo Bolsonaro sobe à tribuna e dá uma banana para deputadas que protestavam contra agressão à repórter Patrícia Campos Mello. Como não há limites para a degradação dessa gente, estava acompanhado de cinco parlamentares mulheres, todas do PSL: a partir da esquerda, Major Fabiana (RJ), Caroline de Toni (SC), Bia Kicis (DF), Chris Tonietto (RJ) e Soraya Manato (ES). Imagem: Luís Macedo/Agência Câmara
Reinaldo Azevedo

Colunista do UOL

19/02/2020 08h40

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) evidencia que, no terreno moral, é falsa a frase "quem sai aos seus não degenera". Ele conserva, sem dúvida, todas as características do pai, mas evidencia traços de evidente degeneração.

Nesta terça, na Câmara, ele resolveu contestar as parlamentares que repudiaram o ataque demencial do presidente contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha.

Acompanhado de cinco deputadas da base bolsonarista, Eduardo subiu à tribuna e repetiu gesto do pai, dando uma banana àquelas que protestavam:
"Em nome das mulheres, uma banana! Uma banana! Não vão nos calar. Pode gritar à vontade, mas só raspa o sovaco se não dá um mau cheiro do caramba."

Eis a qualidade moral e intelectual do presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa e candidato a intelectual da família...

Sim, Eduardo estava acompanhado de cinco deputadas, todas ainda do PSL, mas que devem seguir Bolsonaro quando se criar o novo partido: Major Fabiana (RJ), Caroline de Toni (SC), Bia Kicis (DF), Chris Tonietto (RJ) e Soraya Manato (ES). Penso nos filhos, particularmente filhas. Ninguém merece passar por esse constrangimento.

Não é a primeira vez que este senhor associa mulheres a mau cheiro e falta de higiene. Ele é a expressão mais grotesca da misoginia e do preconceito.

Voltemos à sua frase. Pergunta-se: homens, que não costumam raspar o braço, seriam por definição aceitavelmente fedorentos, ou só os eventuais pelos das axilas femininas exalam um odor que o Zero Três considera desagradável?

Aos poucos, a verdadeira alma dos Bolsonaros se revela. Parece que seu ambiente natural é mesmo o cheiro da macharia bronca de vestiário depois de um jogo bem encardido — disputado, se possível, na lama. Nesse caso, não se cuida de recomendar depilação a ninguém. O parlamentar faz jus ao que parece ser uma tradição familiar de apreço por pelos — desde, claro!, que não sejam os femininos.

Um bolsomínion distraído diria: "Basta lavar e passar desodorante e pronto! Machos não fedem". Em regra, é verdade. Mas por que isso não valeria para mulheres que decidem não se depilar? Nota a propósito: defendo a depilação para todos os gêneros.

Em setembro de 2018, num ato em favor da candidatura de seu pai, Eduardo afirmou:
"As mulheres de direita são muito mais bonitas do que as de esquerda. Não mostram o peito na rua e não defecam para protestar. Ou seja, as mulheres de direita são muito mais higiênicas que as da esquerda."

É com essa gente que certa elite brasileira pretende — o que é obviamente mentira! — modernizar o Brasil.

Um dia essa nojeira passa. Cumpre que nos perguntemos cotidianamente como foi que chegamos a esse estágio de degradação civilizatória. É preciso começar, desde já, a reunir elementos para contar essa história.

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