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Bolsonaro e pacote para Estados pelo Twitter; não sabe direito nem o valor

Foto publicada na conta do Twitter do presidente Jair Bolsonaro registrando a reunião com governadores - reprodução Twitter
Foto publicada na conta do Twitter do presidente Jair Bolsonaro registrando a reunião com governadores Imagem: reprodução Twitter
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

23/03/2020 18h14

Não adianta. Ele não aprende nada nem esquece nada. O presidente Jair Bolsonaro anunciou um pacote de socorro aos Estados. Anunciou como? De maneira formal? Depois de conversar com os chefes dos Executivos estaduais? Não, né, gente? Foi tudo no Twitter. De saída, há uma curiosidade: ele mesmo diz que o valor total é de R$ 85,8 bilhões. O detalhamento que fez soma R$ 88,2 bilhões.

Informa a Folha:
O pacote inclui a suspensão da dívida de estados com a União no valor de R$ 12,6 bilhões.

lém da suspensão das dívidas das unidades da federação com a União, ele e que o governo vai garantir a manutenção do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) nos mesmos níveis de 2019, o que deve representar uma complementação de R$ 16 bilhões por parte da administração central, em quatro meses.

Ele afirmou ainda que vai destinar R$ 8 bilhões para que estados apliquem em saúde.

"União entrará com mais recursos que o solicitado. Governadores solicitaram R$ 4 bilhões para ações emergenciais em saúde. O governo federal está destinando R$ 8 bilhões em quatro meses", escreveu Bolsonaro.

Sem dar mais detalhes, o presidente listou ainda R$ 2 bilhões para o orçamento de assistência social, renegociação de dívidas de estados e municípios com bancos (R$ 9,6 bilhões), operações com facilitação de créditos (R$ 40 bilhões), além de Medidas Provisórias pare transferir recursos para fundos estaduais e municipais de saúde.

Caiu a ficha do rapaz? Nunca se sabe. Ele deveria sair da bolha do Palácio, com a devida prudência, e ouvir o que o país anda a pensar nele nas sacadas e janelas.

Até ontem, o presidente estava atirando contra os governadores, culpando-os pelo desemprego em massa que a crise do coronavírus certamente trará. Segundo diz, querem a sua cadeira. Tachou de "fanático" o governador de São Paulo, João Doria, que vem tendo um desempenho exemplar na crise.

O presidente se opõe às medidas universalmente recomendadas de recolhimento doméstico nessa fase de expansão do vírus e chegou a dizer que, ao se meter no meio de seus apoiadores, estaria ajudando a imunizar o Brasil caso contaminado estivesse.

Quando é que este senhor vai se dar contada seriedade da crise que atravessamos e vai parar de tentar governar o país por intermédio das redes sociais?

Reinaldo Azevedo