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República Una dos Bolsonaros: "Comitê da Crise" resume-se a Jair e Carlos!

O então candidato Jair Bolsonaro e seu já então principal conselheiro: Carlos Bolsonaro. Nada mudou. O rapaz continua, calculem, a orientar os passos do pai - Foto: Reprodução/Flickr
O então candidato Jair Bolsonaro e seu já então principal conselheiro: Carlos Bolsonaro. Nada mudou. O rapaz continua, calculem, a orientar os passos do pai Imagem: Foto: Reprodução/Flickr
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

30/03/2020 17h20

No dia 16 de março, o presidente Jair Bolsonaro baixou um decreto criando o Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19. Hoje é dia 30. Na prática, o comitê já não existe mais e quem, digamos, articula as ações e centraliza decisões é... Bolsonaro. E o grande conselheiro é um vereador do Rio de Janeiro: Carlos Bolsonaro.

É assim na República Una da Família Bolsonaro.

Integram o comitê que virou mero observador da crise 15 ministros: Braga Netto (Casa Civil), Sergio Moro (Segurança Pública), Fernando Azevedo (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Abraham Weintraub (Educação), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Henrique Mandetta (Saúde), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Wagner Rosário (CGU), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (GSI) e André Mendonça (AGU). Além deles, estão no grupo os presidentes de Banco Central, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES, Anvisa e o coordenador do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

O coordenador é o general Braga Netto. Só para ficar claro: as ações do Ministério da Saúde não eram submetidas ao crivo dessa turma. Deveria funcionar assim: o ministro Mandetta, por exemplo, informaria ao Comitê as ações em andamento e dali sairiam diretrizes gerais. Já era.

Bolsonaro fez o seu pronunciamento tresloucado em rede nacional à revelia do comitê. Neste domingo, foi às ruas de Ceilândia e Taguatinga fazer proselitismo contra o isolamento social sem consultar ninguém ou aviso prévio. Também não houve aviso ou consulta para decidir por decreto que lotéricas e templos poderiam funcionar, decisão suspensa por liminar da Justiça Federal.

Normalmente, já tem certo espírito bonapartista, que se assanha quanto mais ignorante ele é em determinado assunto. Fica mais ou menos longe da economia porque sabe que os mercados podem lhe quebrar as pernas. Isso à parte, tem complexo de Deus. É dotado daquela certeza férrea de que a todo problema complexo corresponde uma resposta bem simples. Esqueceu-se de que a dita-cuja, como queria o jornalista H.L Mencken, está sempre errada.

Reinaldo Azevedo