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Bolsonaro tem uma avaliação muito superior à ruindade do seu governo

Datafolha/Folha
Imagem: Datafolha/Folha
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

26/06/2020 09h38

A avaliação do presidente Jair Bolsonaro segue estável, segundo pesquisa Datafolha. Leiam o que informa a Folha. Volto em seguida:
A popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue estável na semana seguinte à prisão do ex-assessor de sua família Fabrício Queiroz. Segundo pesquisa do Datafolha, Bolsonaro manteve sua aprovação em 32%, o mesmo índice do fim de maio (33%). A rejeição ao governo é de 44%, ante 43% da rodada anterior, enquanto os que avaliam Bolsonaro como regular estacionaram nos 23% (eram 22%). O Datafolha ouviu 2.016 pessoas por telefone nos dias 23 e 24 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A estabilidade contrasta com a tensão política decorrente da prisão de Queiroz, amigo de Bolsonaro desde 1984 e ex-assessor de seu filho Flávio, hoje senador. Investigado no esquema das "rachadinhas" quando era deputado estadual no Rio, Queiroz é o elo entre o clã presidencial e figuras do submundo miliciano no Rio.

O caso, contudo, tem grande potencial destrutivo. A aprovação de Bolsonaro cai para 15% entre aqueles que acham que o presidente sabia onde Queiroz se escondia até ser preso no dia 18. Esse é o índice de popularidade considerado crítico na política para a abertura de processos de impeachment.

Bolsonaro segue com o mesmo perfil de aprovação. O rejeitam mais jovens (16 a 24 anos, 54%), detentores de curso superior (53%) e ricos (renda acima de 10 salários mínimos, 52%). Moradores da região Sul, reduto bolsonarista, aprovam mais o presidente: 42% o acham ótimo ou bom. Na mão contrária, pessoas de 35 a 44 anos (37%), empresários (51%) e os que sempre confiam em Bolsonaro (92%) são os mais satisfeitos com a gestão do presidente.
(...)

COMENTO
Bolsonaro é, sim, o presidente mais mal avaliado nesta fase de governo quando comparado com seus antecessores eleitos diretamente em primeiro mandato. Mas acho que essa constatação mais nos afasta do que nos aproxima do que tem de ser pensado.

Ainda que o pior de todos, vamos convir que o presidente tem uma avaliação muito superior à ruindade do seu governo.

Além de sair por aí fazer estripulias políticas, institucionais e morais, Bolsonaro lidera um dos piores governos da história em qualquer área que se queira. Tomemos aquele que é hoje o principal problema dos brasileiros: saúde.

A omissão federal chega a ser criminosa.

Qualquer pessoa razoável tem curiosidade de saber: "Venha cá, meu bom bolsonarista, o que, exatamente, neste governo é ótimo ou bom?"

E certamente ouviremos alguma coisa mais vizinha da ideologia do que dos fatos. Assim, em certa medida, a guerra que suas milícias promovem nas redes tem lá a sua serventia. Elas o tornam refém de sua estupidez, mas lhe garantem um patamar de resistência.

É evidente que o presidente busca criar, depois que Fabrício Queiroz foi preso, o "Bolsonarinho Paz & Amor". Vamos ver quanto tempo dura...

A sociedade precisa voltar a algum estágio um pouco mais próximo da normalidade para vermos como a coisa avança. De toda sorte, considerem: se a eleição presidencial fosse no mês que vem, o presidente estaria no segundo turno. Com chance de reeleição? Como saber? Quem estaria do outro lado?

Os números são uma advertência para alguns que, dotados de grande soberba, acham que essa história de frente ampla em defesa da democracia — E NÃO DE UM CANDIDATO ÚNICO À PRESIDÊNCIA — é só um truque da direita para enganar o povo...

A propósito: se falam em nome do povo e conhecem tão bem a sua vontade, convém fazer o devido trabalho para descolar do bolsonarismo amplas fatias também dos mais pobres.

Conviria não misturar cálculo eleitoral com defesa da democracia.

Reinaldo Azevedo