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Cafofo do Queiroz e a questão da confiança: Bolsonaro não é cachorro morto

Datafolha/Folha
Imagem: Datafolha/Folha
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

26/06/2020 09h39

Afirmam ter tomado conhecimento do caso Fabrício Queiroz 75% dos ouvidos pelo Datafolha. Entre estes, a maioria — 64% — avalia que o presidente Jair Bolsonaro sabia onde estava Fabrício Queiroz — o que corresponde a 48% do total.

Apenas 21% entre os que conhecem o caso pensam que Bolsonaro ignorava o esconderijo do seu amigão — ou 15,75% do total. Não sabem responder, nesse grupo, 15% — 11,25% dos ouvidos.

O número dos que apostam que Bolsonaro sabia de tudo é grande — 48% do total —, mas ainda representa menos da metade do total. E olhem que não falta notícia a respeito, não é mesmo?

Os outros 52% se dividem entre os que não tomaram conhecimento do assunto (25%), acham que o homem ignorava o paradeiro do amigão (15,75%) ou não sabem responder: 11,25%.

Há, sim, mesmo em face de um escândalo rasgado, uma nada desprezível resiliência do presidente. Pergunto-me quantos, na verdade, preferem fingir ignorância ou hesitação entre os 25% que dizem não ter tomado conhecimento do assunto e os 11,25% que afirmam não saber responder.

Os números de Bolsonaro não são bons, mas também não são desesperadores.

Vejam os dados sobre confiança no presidente. É gigantesco o índice dos que não confiam nunca nele: 46% — quase a metade. Mas ainda há 20% que confiam sempre, e 32% que confiam às vezes. O gráfico demonstra que a desconfiança é crescente, e a confiança, decrescente.

Também nesses casos, no entanto, a opinião da população ainda não é compatível com o descalabro.

Com os números que Bolsonaro ainda mantém, seria um erro estúpido achar que está morto.

Não está.

Reinaldo Azevedo