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Reinaldo Azevedo

CNT-MDA 3: Segurança da democracia está com mulheres, nordestinos e pobres

Reprodução/CNT-MDA
Imagem: Reprodução/CNT-MDA
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

10/05/2022 11h51

Vejam alguns dados da pesquisa CNT-MDA segundo categorias.

GÊNERO
Se a eleição fosse hoje, esta seria a distribuição dos votos segundo o gênero no primeiro turno, aponta a pesquisa CNT-MDA:
Mulheres
Lula (PT) - 43,5%
Bolsonaro (PL) - 25,9%
Ciro Gomes (PDT) - 7,1%
João Doria (PSDB) - 2,3%
André Janones (Avante) - 3,2%
Simone Tebet (MDB) - 2,7%
Felipe D`Avila (Novo) - 0,0%
Branco/Nulo - 6,03%
Indeciso - 9,3%

Homens
Lula (PT) - 37,7%
Bolsonaro (PL) - 38,2%
Ciro Gomes (PDT) - 7,2%
João Doria (PSDB) - 4,0%
André Janones (Avante) - 1,7%
Simone Tebet (MDB) - 1,8%
Felipe D`Avila (Novo) - 0,5%
Branco/Nulo - 4,3%
Indeciso - 4,6%

No segundo turno, as mulheres garantiriam a vitória folgada de Lula, embora o petista vença também entre os homens:
Mulheres
Lula 54,1% X 31,3% Bolsonaro
Homens
Lula 47,5% X 42,4% Bolsonaro

REGIÃO
No primeiro turno, é esta a distribuição de votos segundo as regiões:
Nordeste
Lula - 54,5%
Bolsonaro - 24,1%
Ciro Gomes - 5,9%
João Doria - 0,7%
André Janones - 2,8%
Simone Tebet - 1,3%
Felipe D`Avila - 0,0%
Branco/Nulo - 5,0%
Indeciso - 5,6%

Sudeste
Lula - 34,1%
Bolsonaro - 31%
Ciro Gomes - 8,6%
João Doria - 5,1%
André Janones - 3,0%
Simone Tebet - 2,7%
Felipe D`Avila - 0,5%
Branco/Nulo - 6,1%
Indeciso - 8,9%

Sul
Lula - 38,5%
Bolsonaro - 42,2%
Ciro Gomes - 4,1%
João Doria - 3,7%
André Janones - 1,0%
Simone Tebet - 2,0%
Felipe D`Avila - 0,3%
Branco/Nulo - 4,1%
Indeciso - 4,1%

Centro-Oeste/Norte
Lula - 36,2%
Bolsonaro - 38,8%
Ciro Gomes - 8,1%
João Doria -1,3%
André Janones - 1,6%
Simone Tebet - 2,9%
Felipe D`Avila - 0,0%
Branco/Nulo - 3,9%
Indeciso - 7,1%

No segundo turno, Lula aparece numericamente à frente em todas as regiões, com vitória esmagadora no Nordeste, boa vantagem no Sudeste e tecnicamente empatado com Bolsonaro no Sul e Norte/Centro-Oeste
Nordeste
Lula 61,8% X 28% Bolsonaro
Sudeste
Lula 47,1% X 37,5% Bolsonaro
Sul
Lula 46,6% X 43,9% Bolsonaro
Centro-Oeste/Norte
Lula 46% X 43,9%

RENDA
No primeiro turno, veja a distribuição dos votos segundo a renda. Lula tem vantagem imensa entre os que ganham até dois mínimos; está tecnicamente empatado entre os que recebem de dois a cinco e perde para Bolsonaro na faixa acima dos cinco:
Até 2 salários mínimos
Lula - 49,9%
Bolsonaro - 21,3%
Ciro Gomes - 7,3%
João Doria - 1,9%
André Janones - 3,6%
Simone Tebet - 2,1%
Felipe D`Avila - 0,0%
Branco/Nulo -6,6%
Indeciso - 8,3

De dois a cinco mínimos
Lula - 37,0%
Bolsonaro - 39,0%
Ciro Gomes - 5,8%
João Doria - 3,6%
André Janones - 1,6%
Simone Tebet - 2,0%
Felipe D`Avila - 0,1%
Branco/Nulo - 4,9%
Indeciso - 5,9%

Acima de cinco mínimos
Lula - 27%
Bolsonaro - 42,2%
Ciro Gomes - 9,2%
João Doria - 5,5%
André Janones - 1,5%
Simone Tebet - 3,2%
Felipe D`Avila - 1,0%
Branco/Nulo - 4,5%
Indeciso - 6,0%

No segundo turno, Lula só seria derrotado hoje na faixa acima dos cinco mínimos, com imensa vantagem entre os que ganham até dois
Até dois mínimos
Lula 59,3% X 26,9% Bolsonaro
De dois a cinco mínimos
Lula 47,0% X 42,2% Bolsonaro
Acima de cinco mínimos
Lula 40,2% X 48,1% Bolsonaro

CONSIDERAÇÕES
Nada menos de 70% da mão-de-obra ativa no Brasil recebe até dois salários. Nos oito anos de Lula, o mínimo teve um ganho real de quase 60%. A gestão Bolsonaro será a primeira, desde o Plano Real, a entregar um mínimo com perda de poder de compra. Esse pode ser um dos fatores a explicar a brutal diferença que existe entre os dois nessa faixa.

O que ainda busca uma explicação é o empate técnico na faixa de dois a cinco mínimos, castigada pela disparada da inflação. Já o corte acima de cinco é muito amplo. Quem ganha 5,1 mínimos está no grupo; e quem recebe 100 também.

A rejeição a Bolsonaro entre os mais pobres é estupenda: 61,6% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Mesmo entre os que recebem de dois a cinco, 45,9% afirmam que não o fariam. Ocorre que, no caso de Lula, esse índice alcança 50%, chegando a 56,3% na faixa acima de cinco mínimos.

A rejeição ao atual presidente no Sudeste é grande: 53% dizem que jamais votariam nele, mas ela explode mesmo é no Nordeste: 62,3%. No Sul, é de 49%, ficando em 46,6% no Norte-Centro-Oeste.

No Sudeste, a rejeição a Lula é menor do que a de seu antípoda, embora alta: 48%. E cai a apenas 33% no Nordeste. No Sul (49,3%), empata com a repulsa eleitoral a Bolsonaro, mantendo empate técnico no Norte-Centro-Oeste: 47,6%.

RELIGIÃO
Na pesquisa CNT-MDA, Bolsonaro tem uma larga dianteira entre evangélicos no embate direto com Lula: 51,8% a 36%; entre católicos, a relação se inverte: 53,7% a 33,4% para o petista.

OS JOVENS
Lula tem enorme vantagem entre os eleitores mais jovens. No primeiro turno, votam nele 50,2% entre os que têm de 16 a 24 anos. Só 20,7% preferem Bolsonaro. A distância diminui na faixa entre 25 e 34: 42% a 28%. E, segundo a pesquisa, o atual presidente salta numericamente à frente, mas em empate técnico, entre os que têm de 35 a 44: 38,5% a 36%. Bolsonaro volta a ficar atrás de Lula entre os de 45 a 59: 38,1% a 35,5%. E perde feio entre com 60 ou mais: 42,7% a 28,8%. No segundo turno, no entanto, Lula vence em todas as faixas etárias. As maiores distâncias estão nos extremos: 60,8% a 28,1% na faixa de 16 a 24 anos e 48,9% a 33,5% entre os com 60 ou mais.

APONTAMENTOS
Há muitos outros dados a tratar em futuros textos. Com o que se informou até aqui, valem alguns registros:
- Bolsonaro teria de fazer as pazes com as mulheres; até aqui, suas políticas e escolhas afastam a maioria; a rejeição total a ele é de 53,9%; entre elas, de 58%;
- o presidente até agora não conseguiu se conectar com a maioria do eleitorado pobre, com a rejeição atingindo 61,6%. As compensações que têm tentado para amenizar efeitos de seu governo desastroso não têm, até agora, o resultado eleitoral esperado;
- o Nordeste continua a ser cruel com Bolsonaro, mas confere a Ciro, um político do Ceará, uma votação ainda mais acanhada. No Sudeste, é Doria quem amarga um desempenho minúsculo. É nada menos que o governador de São Paulo -- e que se note: acho que fez um bom governo;
- Lula e o PT têm de se perguntar o que se passa na faixa de renda que vai de dois a cinco mínimos. Estamos falando de pessoas que recebem de R$ 2.425 (dois mínimos mais R$ 1) a R$ 6.060. Por que a rejeição ao petista chega a 50% nessa faixa, quando é de 44,1% no conjunto da sociedade? Convenham: não formam exatamente o tipo de rico que aplaude bolsonarista em restaurante chique.

Para quem acredita que Bolsonaro é um fascistoide, disposto a emparedar as instituições e a implementar no país um regime autoritário, a segurança da democracia está com as mulheres, com os nordestinos e com os mais pobres.